sábado, 26 de dezembro de 2009
Natal
E vem ver o natal.
Não aquele feliz da foto bela
Do jornal.
Dê um abraço em seu inimigo
E critique o amigo.
Afinal, o que sobra em um,
Falta no outro.
Cante canções ridículas,
Porque as melhores
são para os piores momentos.
Lembre-se de esquecer
que o “pior” está em seu melhor
para quem precisa viver.
Papai Noel não existe
E ele quer a sua presença.
Seja o presente
Da constante ausência desse mundo.
Enfeite a árvore
E diga para todos:
Chegou o Natal!
Depois, não se esqueça de acender
as luzes da vida.
Viva bastante
Para que os clichês musicais façam sentido.
“Então é Natal,
E o que você fez?”
Obs.: Uma forma diferente de deixar uma mensagem de natal.
Escrita
porque não consigo.
Quero mostrar a todos a realidade
de ser mais do que isso.
A escrita me mantém em duas faces
que escapam ao sentimento.
Estou muito além das fases
do meu pensamento.
Já perdi amores
por leituras equivocadas.
E ganhei traidores
em interpretações bem elaboradas.
Uni casais
em único tom.
Tornei-me único
por me diferenciar pelo som.
Adquiri alegria
em minha tristeza coletiva.
Tornei-me triste
por não compartilhar o que sentia.
Mas é fácil entender
o mistério da minha escrita.
É só parar de ler
o que grafo com a vida.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Não há nada mais conservador do que um liberal no poder.
De lá pra cá, as pessoas foram mudando. Não só elas, embora acredite que tais mudanças sejam necessárias sempre. Estava lançado um dos gritos mais revolucionários da modernidade. Rapidamente a expressão “me dá o seu Orkut” caiu na boca dos jovens, que aliás nem controlam mais os próprios lábios.
Naquele tempo, essa moda de “ficar” já me inspirou a escrever um texto e os tais relacionamentos sofreram uma mutação no tempo. Conheci muitos colegas que trocavam de mulher como faziam com as roupas da Uruguaiana. Pois é, creio que essas pessoas “modernas” não pensaram nessa metáfora.
Por isso, sou um defensor ferrenho das prostitutas. São honestas porque não lhe enganam em seu exercício. Parênteses à parte adorei esse arroubo repentino de conservadorismo que será chamado de ação moralista. Também poderiam perguntar onde há moral numa sociedade que grita, pra quem quiser ouvir, a importância de um companhia de sucesso, mesmo que essa não tenha caráter nenhum.
Surgiu até um tal de relacionamento aberto e casamento virou uma palavra vazia, sem significado algum. No entanto, devo me desculpar mais uma vez. Tem importância sim. Ouvi de uma pessoa a seguinte frase: - Casei logo, porque precisava garantir o meu futuro! É engraçado como coisas antigas aparecem em pleno século XXI. Mas nem se preocupe, estou aí como exemplo.
O meu conservadorismo assusta. Veja só em quanta coisa chata e ultrapassada eu penso... Sou uma pessoa fiel nos relacionamentos e procuro ter uma única pessoa em minha vida. Quero trabalhar sem ter sido indicado apenas. Pretendo namorar, consolidar um relacionamento com o sonho de me casar. Também defendo a idéia de que tudo vem ao seu momento, embora precise lutar muito para conquistar cada um.
Chato né? Mas eu sou escritor e não deveria ter pensamentos que vão contra a liberdade de cada um. Viva a libertinagem do século XXI! Ou seja, liberdade. Fui conservador outra vez. A minha atitude pode me afastar do convívio com a sociedade tão democrática como a nossa. Afinal, é preciso ter idéias semelhantes aos outros para participar de um grupo de “amigos”.
Quem sabe até para assistir àquele futebol de final de semana. Campeonato aliás que está sem aquele período emocionante de “mata-mata”, onde o oitavo colocado tinha chances de ser campeão. Você sabia que a nossa tabela atual segue o modelo europeu? Nisso todos acertaram. Não sabem o quanto, há anos, desejo a ida de muitas pessoas para a Europa e me deixem em paz.
Pra que ir né? O Brasil é uma mistura de tudo. Pra melhorar, teremos as olimpíadas em 2016. Isso me faz pensar em uma nova modalidade esportiva: Os 100 metros com tiro. Assim, o povo poderia participar com cada representante nas raias do maracanã. Aí os assaltantes desceriam dos morros e atirariam sem parar. Quem chegasse vivo do outro lado era merecedor das medalhas.
A verdade é que somos campeões em nossas vidas sem perceber. Também creio ter a percepção muito aguçada para essa liberdade atual. Às vezes, deveria saber o momento de apertar o botão e me desligar de tanto conservadorismo. Dessa forma, sobrariam certezas em torno dessa mediocridade disfarçada em que vivemos. E, de tanta incerteza, descobri a verdadeira mudança perturbadora. O ser humano, a cada dia, muda para o pior.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Reflexão do dia
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Signo dinheiro
Já vi mudanças fantásticas de perfis com uma única constatação: Aquela pessoa tem dinheiro. Isso parece óbvio demais, mas reflete a decadência de um século matéria que não tem alma. Basta ter um carro ou qualquer posse para tudo ficar “leve”. Ou seja, leve tudo que puder.
As mulheres mais bonitas, os melhores empregos e outras coisas seguidas como padrões inacessíveis a uma vida simples. Essa conversa, porém, não sensibiliza a mais ninguém. Estou certo de que esse texto será visto como um desabafo qualquer, porque o que escrevo é “normal”!
Ah... e onde está a astrologia nisso tudo? Não estou divagando, embora possa aparecer. Dizem que essa coisa não funciona de descobrir o signo do outro e tal... Desconfio muito. Até porque se uma pessoa está rodeada de prestígio é muito difícil que essa não seja uma privilegiada de berço. Ou você acha que são comuns os casos de presidentes do PT como o nosso?
De minha parte, nunca entendi o motivo de atrair pessoas arianas (são o meu inferno astral) e aquarianas (pensamento com pensamento não dá certo!). Da mesma forma que as cancerianas me adoram e as geminianas também. Na verdade, o mistério em questão sempre esteve longe do mistério proporcionado pelos estudos astrológicos. No entanto, o signo dinheiro une parceiros de infernos astrais, pessoas que não tem personalidades complementares e por aí vai...
Mesmo assim, há algo mais feroz que tudo isso. Uma coisa chamada hipocrisia. Dizem que ela é necessária para manter um equilíbrio social mínimo. Aí surge a fatídica pergunta: Que equilíbrio? Esse discurso, a meu ver, é mais ascético do que qualquer previsão astrológica. Talvez o meu erro seja não aceitar a minha condição de errado perante tanta confusão. O ascendente sagitário está pedindo para desbravar novos caminhos. Mas bem que podia ter nascido sob o signo dinheiro...
sábado, 29 de agosto de 2009
Riflexão
“Quem ri à toa é hiena, o meu riso vem acompanhado de reflexão.”
Eu e os meus anônimos. Creio que não sou reconhecido porque não cito os grandes da literatura ou os pensadores mundiais como exemplo. Afinal, fujo desse pedantismo vazio e de qualquer coisa falsa em nossa realidade. Seria, em outras palavras, um “anti-erudito” como um contra-senso dentro dos formadores de opinião em nosso país.
O início da frase da epígrafe pertence a um amigo que não vejo há anos. Quando a ouvi, pensei em guardá-la comigo. Hoje, vejo na grande certeza da escolha. Muita gente crê de forma hipotética na minha felicidade perante os fatos do cotidiano atual. E aí respondo com o enunciado magistral daquele taxista esquecido no meio da multidão.
Aliás, é melhor me corrigir. João Carlos não era apenas um. Pai, trabalhador, amigo e indagador do sistema vigente com a sabedoria que falta a muitos de nossos intelectuais. O riso, para quem não sabe, começa a ter importância na literatura a partir do gênero dramático mais comum de nossos dias: A comédia.
Não sou tolo para esquecer de que a formação maçônica do meu antigo amigo possa ter lhe trazido tais questões, como as discussões provenientes do velho debate surgido em relação à arte poética de Aristóteles. No entanto, no mundo como o nosso não basta ter acesso à cultura. É preciso tomar atitude. Acrescentar reflexão.
Minha mãe me desanimou, certa vez, ao dizer que não fazia nada. Por outro lado, muito metafísico adoraria receber tal elogio. Ler, hoje em dia, virou uma prática vazia diante das diversas ações poluídas daqueles que nos acompanham. Já perdi companhias, porque me disseram a seguinte afirmativa: - Isso não vai dar em nada!
Ao mesmo tempo, quero ver o dia em que as pessoas estarão se agarrando nas crenças vazias criadas em oposição à quem pensa. O pensar não pode ser rotulado, como a maioria sói fazer. Ele acompanha o mesmo processo do viver em nossa sociedade.
Nessa semana, discuti com uma amiga um dos insultos recebidos na minha cavalgada cotidiana. Disseram-me, certa vez, que a formação em literatura é para sonhadores e que a realidade exige pessoas práticas ou centradas
Não acredita? Acompanhe o seu vizinho e veja com os seus próprios olhos. As pessoas estão, cada vez mais, sem noção. Isso também, devo reconhecer, facilita o trabalho de quem almeja a profissão de escritor. Há séculos atrás os personagens estavam muito distantes. Hoje, é só dobrar a esquina para encontrar um belo best seller.
Bruna surfistinha vai virar filme e o livro do tão criticado Paulo Coelho também. Crítica brasileira, aliás, que na opinião do já consagrado crítico literário Benedito Nunes, não existe mais. Ri demais, quando ouvi isso em sua palestra, porque observava uma professora se contorcer na cadeira em que estava com o tamanho sacrilégio dessa asseveração.
Aí, quem não me conhece, olha para mim. Fica pensando em um monte de coisas estúpidas e não percebe o que está tão claro diante delas. Às vezes, irrito-me com as conclusões estranhas tiradas sobre o meu sorriso. Afinal, outra coisa que percebi, ninguém mais pode rir hoje em dia.
Experimente fazer isso. Saia por aí com um sorrisão natural e compartilhe de sua alegria com todo mundo. Se você não for conhecido, vai receber as seguintes sentenças de cada um: - Você ficou rico? Você está muito estranho... Ou melhor, ainda podem te chamar de irônico sem entenderem a ironia. E antífrase sem pai é o maior atentado contra a literatura que alguém pode fazer.
O estranho mesmo é que atitudes “emo” não são contestadas. As pessoas estão deprimidas e fechadas em um canto. Todo mundo adora. Mas não vejo ninguém perguntar o porquê dessa atitude. Já vivemos em um mundo sem nexo, onde viver tornou-se um verbo filosófico. Então, prefiro ouvir os anônimos ou os mais próximos mesmo, quando estes querem me ouvir. João Carlos foi para a Amazônia, porque acreditava em um mundo diferente lá. Isso é outra história. No entanto, ele deveria ver o quanto aproximo a sua frase de minha atitude com a vida.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Uma homenagem merecida
O sábio que reconheceu,
sem me pedir, as minhas simples palavras.
Mareja com o brilho do camafeu
arremessado no infinito.
Respondia-me para além do dito.
Porque o agora
instiga esse passado eterno.
Nessa aurora, não sou mais o seu neto.
Tenho recordações puras e verdadeiras,
ou será que sou discípulo de um mundo inteiro?
Obs.: Escrevi esse acróstico e outros textos pela madrugada. Pode ser que os últimos acontecimentos tenham me despertado para a escrita mais uma vez. Ele é uma homenagem ao meu avô que hoje completaria 72 anos se estivesse vivo.


