31.12.09

Temporiamente fora. Pessoalmente, darei um tempo no blog, porque sinto que será necessário. Mas não desistirei daqui. Agradeço a todos pelo tempo de companhia e comentários. Esse processo de diálogo com vocês me trouxe bastante crescimento pessoal que devo compartilhar agora por aí. Isso não é um adeus e sim, um até logo!

Grato a todos que me adicionaram como seguidores e principalmente à:

Vanessa (Fio de Ariadne)
Beatriz (Compulsão diária)
Valdeir (Ponderantes)
Cristiane Marino
James (Minha literatura agora)
Marise ( do blog de filosofia)

e todos os que contribuíram com opiniões construtivas para o meu aperfeiçoamento a cada dia. Ainda preciso melhorar bastante, mas preciso de um retiro para consolidar melhor a escrita e outros planos a caminho. Volto logo!

abraço

Simples complexo

Há pouco começamos o ano de 2010 e tudo parece o mesmo lá fora... A sorte é que estou bem diferente da época do primeiro blog na net. O antigo e o novo andam de mãos juntas no paradoxo de uma realidade tão simples. Ou, em outras palavras, ser simples não vale a pena em um mundo que complica demais a vida.
Quando criei o "um jovem poeta", não imaginava o quanto um sonho ingênuo de me tornar escritor iria tão longe. Hoje sei que ainda há muito a percorrer, mas tenho a sensação de que consegui algo maior do que o pretendido. Nem mesmo a saudade de Clarissa Caleia me fez recuar, diante de tantas "pedras" no caminho.
Para quem não sabe, ela foi uma das pessoas mais fantásticas com que me deparei no último tempo. Essa estudante de italiano tornou-se amiga em tão pouco tempo e trouxe uma esperança, naquele período, de que havia pessoas confiáveis no mundo acadêmico. No entanto, algo estava certo demais para não estar errado.
Bastaram alguns boatos entre nós para estabelecer um grande abismo. Complicaram o simples encontro entre pessoas que compartilhavam gostos semelhantes sobre a vida. Até hoje não entendo o porquê daquela tempestade. Naquele tempo prometi a mim mesmo desistir de escrever. Afinal, as pessoas adoram usar o que falo ou escrevo contra esse humilde escritor.
Imaginem se fosse um imortal da academia. Iria ter as minhas opiniões estampadas em jornais, como uma calúnia qualquer. Aliás, isso deveria ser positivo para a carreira, porque o que conta em nosso século é o negativismo total. O pessimismo virou moeda de troca para o ópio de nossos tempos.
Mesmo assim, passados a tormenta e a depressão daquele período, erguia a cabeça com muito trabalho, além do incentivo das "verdadeiras" amizades. Talvez devesse aprender já, no final de 2005, o verdadeiro significado de uma relação amistosa. O que não demorou para detonar uma confusão semelhante a, mais ou menos, dois anos depois.
Fiquei pensando se a minha burrice devesse ser perdoada. A Carolina foi a chance de reatar nós antigos com um vigor de outrora. Tudo parecia ser repetir, embora estivesse muito mais forte do que nos anos anteriores. Será que o erro foi ter desejado um laço mais estreito do que amizade? Pergunta que surge no meio da estrutura desse texto espontâneo.
Lição também bastante importante essa. Ao escrever aqui, percebo a liberdade da reflexão crítica exagerada do meio de minha formação. E não tenho nenhum orgulho em dizer que sou um professor de letras. Já fui até execrado por tal atitude. O que escrevo, e reafirmo sempre, é o que as pessoas insistem em não perceber. Procuro fugir da complexidade exagerada da vida com a simplicidade de quem a sensibiliza pelo "simples complexo". Entretanto, irão entender em breve essa vã filosofia.
Após a meia noite do dia 31, aprendi finalmente o espírito do ano novo. Agradeci a Deus por tudo que ele me ofereceu até o presente momento sem pestanejar. Minha mãe ainda pediu para pular cadeira, comer uva e outras bobagens típicas de quem ainda precisa acreditar em algo além de si mesmo. Hoje, sei o valor de uma supertição.
É a forma da gente complicar ainda mais a vida. A gente põe culpa na primeira ação, ou coisa, que temos pela frente, para não admitir as nossas falhas. Isso explica a repetição de antigos problemas. Por isso, o meu falecido avô foi (e será) sempre um dos meus maiores ídolos. Ele brigava bastante comigo, mas conseguia imprimir a sua vontade de forma direta e objetiva com a própria realidade.
Tá certo que ele também complicava. Todo ser humano insiste em errar e isso acaba com a confiança no dito popular. A burrice pertence a quem vive de verdade, enquanto a inteligência sobrevive na não repetição dela. E quanto mais velhos permanecermos menos iremos cair em equívocos antigos. É a lógica simples a ser seguida.
Mas, todo ano, tudo se repete. Previsões astrológicas positivas, festas nas praias de todo o Brasil, perco aqueles que acreditavam ser amigos e ganho amizades com os inimigos, etc... Alguém deve estar pensando se tudo isso não me cansa. Creio que a minha postura diante da realidade evita um cansaço maior.
Nunca persigo o mesmo trajeto da mesma forma, embora a prática tenha sido alterada com a sua essência anterior. Isso explica a diferença gritante entre os meus escritos. Já ouvi que eles eram tanto auto-ajuda quanto best sellers anônimos. Poucos foram aqueles, entretanto, que perceberam a simplicidade. E, pelo contrário, recebo críticas contrárias, como se a escrita fosse um modo de sacramentar opiniões, ou vidas. Se fosse assim, não perderia o rumo da homenagem que almejei fazer aos anos desse blog com uma retrospectiva de final de ano.

26.12.09

Natal

Deixe o seu coração na janela
E vem ver o natal.
Não aquele feliz da foto bela
Do jornal.

Dê um abraço em seu inimigo
E critique o amigo.
Afinal, o que sobra em um,
Falta no outro.

Cante canções ridículas,
Porque as melhores
são para os piores momentos.
Lembre-se de esquecer
que o “pior” está em seu melhor
para quem precisa viver.

Papai Noel não existe
E ele quer a sua presença.
Seja o presente
Da constante ausência desse mundo.

Enfeite a árvore
E diga para todos:
Chegou o Natal!
Depois, não se esqueça de acender
as luzes da vida.

Viva bastante
Para que os clichês musicais façam sentido.
“Então é Natal,
E o que você fez?”

Obs.: Uma forma diferente de deixar uma mensagem de natal.

Escrita

Escrevo contra a minha vontade,
porque não consigo.
Quero mostrar a todos a realidade
de ser mais do que isso.

A escrita me mantém em duas faces
que escapam ao sentimento.
Estou muito além das fases
do meu pensamento.

Já perdi amores
por leituras equivocadas.
E ganhei traidores
em interpretações bem elaboradas.

Uni casais
em único tom.
Tornei-me único
por me diferenciar pelo som.

Adquiri alegria
em minha tristeza coletiva.
Tornei-me triste
por não compartilhar o que sentia.

Mas é fácil entender
o mistério da minha escrita.
É só parar de ler
o que grafo com a vida.

6.11.09

Não há nada mais conservador do que um liberal no poder.

Você lembra da época em que surgiu o Orkut? Já naquele tempo desconfiava de que muita coisa iria acontecer. Foi no ano de 2004 e o primeiro a me convidar foi o meu irmão. Fui chamado, na época, de retrógrado porque achava aquilo pura bobagem. Dessa forma, recebi a denominação de conservador por não aceitar uma rede de relacionamentos em pleno século XXI. Mas não há nada mais conservador do que um liberal no poder.
De lá pra cá, as pessoas foram mudando. Não só elas, embora acredite que tais mudanças sejam necessárias sempre. Estava lançado um dos gritos mais revolucionários da modernidade. Rapidamente a expressão “me dá o seu Orkut” caiu na boca dos jovens, que aliás nem controlam mais os próprios lábios.
Naquele tempo, essa moda de “ficar” já me inspirou a escrever um texto e os tais relacionamentos sofreram uma mutação no tempo. Conheci muitos colegas que trocavam de mulher como faziam com as roupas da Uruguaiana. Pois é, creio que essas pessoas “modernas” não pensaram nessa metáfora.
Por isso, sou um defensor ferrenho das prostitutas. São honestas porque não lhe enganam em seu exercício. Parênteses à parte adorei esse arroubo repentino de conservadorismo que será chamado de ação moralista. Também poderiam perguntar onde há moral numa sociedade que grita, pra quem quiser ouvir, a importância de um companhia de sucesso, mesmo que essa não tenha caráter nenhum.
Surgiu até um tal de relacionamento aberto e casamento virou uma palavra vazia, sem significado algum. No entanto, devo me desculpar mais uma vez. Tem importância sim. Ouvi de uma pessoa a seguinte frase: - Casei logo, porque precisava garantir o meu futuro! É engraçado como coisas antigas aparecem em pleno século XXI. Mas nem se preocupe, estou aí como exemplo.
O meu conservadorismo assusta. Veja só em quanta coisa chata e ultrapassada eu penso... Sou uma pessoa fiel nos relacionamentos e procuro ter uma única pessoa em minha vida. Quero trabalhar sem ter sido indicado apenas. Pretendo namorar, consolidar um relacionamento com o sonho de me casar. Também defendo a idéia de que tudo vem ao seu momento, embora precise lutar muito para conquistar cada um.
Chato né? Mas eu sou escritor e não deveria ter pensamentos que vão contra a liberdade de cada um. Viva a libertinagem do século XXI! Ou seja, liberdade. Fui conservador outra vez. A minha atitude pode me afastar do convívio com a sociedade tão democrática como a nossa. Afinal, é preciso ter idéias semelhantes aos outros para participar de um grupo de “amigos”.
Quem sabe até para assistir àquele futebol de final de semana. Campeonato aliás que está sem aquele período emocionante de “mata-mata”, onde o oitavo colocado tinha chances de ser campeão. Você sabia que a nossa tabela atual segue o modelo europeu? Nisso todos acertaram. Não sabem o quanto, há anos, desejo a ida de muitas pessoas para a Europa e me deixem em paz.
Pra que ir né? O Brasil é uma mistura de tudo. Pra melhorar, teremos as olimpíadas em 2016. Isso me faz pensar em uma nova modalidade esportiva: Os 100 metros com tiro. Assim, o povo poderia participar com cada representante nas raias do maracanã. Aí os assaltantes desceriam dos morros e atirariam sem parar. Quem chegasse vivo do outro lado era merecedor das medalhas.
A verdade é que somos campeões em nossas vidas sem perceber. Também creio ter a percepção muito aguçada para essa liberdade atual. Às vezes, deveria saber o momento de apertar o botão e me desligar de tanto conservadorismo. Dessa forma, sobrariam certezas em torno dessa mediocridade disfarçada em que vivemos. E, de tanta incerteza, descobri a verdadeira mudança perturbadora. O ser humano, a cada dia, muda para o pior.

26.10.09

Reflexão do dia

Por que jogam fora sempre o que tenho de melhor para oferecer? Creio que as pessoas se acostumaram com o q há de pior mesmo...

14.10.09

Signo dinheiro

A astrologia é uma ciência muito antiga. Ela impressiona muita gente quando a sua precisão relata personalidades complicadíssimas com um simples mapa astral. Nele estão o seu modo de ver a vida, a forma como agrega os amigos e, enfim, muitas outras qualidades. Pensar nela, por outro lado, ficou mais fácil em nossa sociedade. É só nascer sob o signo “pecunium dilectionis”. Ou seja, o signo dinheiro.
Já vi mudanças fantásticas de perfis com uma única constatação: Aquela pessoa tem dinheiro. Isso parece óbvio demais, mas reflete a decadência de um século matéria que não tem alma. Basta ter um carro ou qualquer posse para tudo ficar “leve”. Ou seja, leve tudo que puder.
As mulheres mais bonitas, os melhores empregos e outras coisas seguidas como padrões inacessíveis a uma vida simples. Essa conversa, porém, não sensibiliza a mais ninguém. Estou certo de que esse texto será visto como um desabafo qualquer, porque o que escrevo é “normal”!
Ah... e onde está a astrologia nisso tudo? Não estou divagando, embora possa aparecer. Dizem que essa coisa não funciona de descobrir o signo do outro e tal... Desconfio muito. Até porque se uma pessoa está rodeada de prestígio é muito difícil que essa não seja uma privilegiada de berço. Ou você acha que são comuns os casos de presidentes do PT como o nosso?
De minha parte, nunca entendi o motivo de atrair pessoas arianas (são o meu inferno astral) e aquarianas (pensamento com pensamento não dá certo!). Da mesma forma que as cancerianas me adoram e as geminianas também. Na verdade, o mistério em questão sempre esteve longe do mistério proporcionado pelos estudos astrológicos. No entanto, o signo dinheiro une parceiros de infernos astrais, pessoas que não tem personalidades complementares e por aí vai...
Mesmo assim, há algo mais feroz que tudo isso. Uma coisa chamada hipocrisia. Dizem que ela é necessária para manter um equilíbrio social mínimo. Aí surge a fatídica pergunta: Que equilíbrio? Esse discurso, a meu ver, é mais ascético do que qualquer previsão astrológica. Talvez o meu erro seja não aceitar a minha condição de errado perante tanta confusão. O ascendente sagitário está pedindo para desbravar novos caminhos. Mas bem que podia ter nascido sob o signo dinheiro...

29.8.09

Riflexão

“Quem ri à toa é hiena, o meu riso vem acompanhado de reflexão.”


Eu e os meus anônimos. Creio que não sou reconhecido porque não cito os grandes da literatura ou os pensadores mundiais como exemplo. Afinal, fujo desse pedantismo vazio e de qualquer coisa falsa em nossa realidade. Seria, em outras palavras, um “anti-erudito” como um contra-senso dentro dos formadores de opinião em nosso país.

O início da frase da epígrafe pertence a um amigo que não vejo há anos. Quando a ouvi, pensei em guardá-la comigo. Hoje, vejo na grande certeza da escolha. Muita gente crê de forma hipotética na minha felicidade perante os fatos do cotidiano atual. E aí respondo com o enunciado magistral daquele taxista esquecido no meio da multidão.

Aliás, é melhor me corrigir. João Carlos não era apenas um. Pai, trabalhador, amigo e indagador do sistema vigente com a sabedoria que falta a muitos de nossos intelectuais. O riso, para quem não sabe, começa a ter importância na literatura a partir do gênero dramático mais comum de nossos dias: A comédia.

Não sou tolo para esquecer de que a formação maçônica do meu antigo amigo possa ter lhe trazido tais questões, como as discussões provenientes do velho debate surgido em relação à arte poética de Aristóteles. No entanto, no mundo como o nosso não basta ter acesso à cultura. É preciso tomar atitude. Acrescentar reflexão.

Minha mãe me desanimou, certa vez, ao dizer que não fazia nada. Por outro lado, muito metafísico adoraria receber tal elogio. Ler, hoje em dia, virou uma prática vazia diante das diversas ações poluídas daqueles que nos acompanham. Já perdi companhias, porque me disseram a seguinte afirmativa: - Isso não vai dar em nada!

Ao mesmo tempo, quero ver o dia em que as pessoas estarão se agarrando nas crenças vazias criadas em oposição à quem pensa. O pensar não pode ser rotulado, como a maioria sói fazer. Ele acompanha o mesmo processo do viver em nossa sociedade.

Nessa semana, discuti com uma amiga um dos insultos recebidos na minha cavalgada cotidiana. Disseram-me, certa vez, que a formação em literatura é para sonhadores e que a realidade exige pessoas práticas ou centradas em si. Durante muito tempo, cheguei a aceitar tal questão tola, mas a atualidade me faz crer, todos os dias, que o mundo está pior do que o mundo literário.

Não acredita? Acompanhe o seu vizinho e veja com os seus próprios olhos. As pessoas estão, cada vez mais, sem noção. Isso também, devo reconhecer, facilita o trabalho de quem almeja a profissão de escritor. Há séculos atrás os personagens estavam muito distantes. Hoje, é só dobrar a esquina para encontrar um belo best seller.

Bruna surfistinha vai virar filme e o livro do tão criticado Paulo Coelho também. Crítica brasileira, aliás, que na opinião do já consagrado crítico literário Benedito Nunes, não existe mais. Ri demais, quando ouvi isso em sua palestra, porque observava uma professora se contorcer na cadeira em que estava com o tamanho sacrilégio dessa asseveração.

Aí, quem não me conhece, olha para mim. Fica pensando em um monte de coisas estúpidas e não percebe o que está tão claro diante delas. Às vezes, irrito-me com as conclusões estranhas tiradas sobre o meu sorriso. Afinal, outra coisa que percebi, ninguém mais pode rir hoje em dia.

Experimente fazer isso. Saia por aí com um sorrisão natural e compartilhe de sua alegria com todo mundo. Se você não for conhecido, vai receber as seguintes sentenças de cada um: - Você ficou rico? Você está muito estranho... Ou melhor, ainda podem te chamar de irônico sem entenderem a ironia. E antífrase sem pai é o maior atentado contra a literatura que alguém pode fazer.

O estranho mesmo é que atitudes “emo” não são contestadas. As pessoas estão deprimidas e fechadas em um canto. Todo mundo adora. Mas não vejo ninguém perguntar o porquê dessa atitude. Já vivemos em um mundo sem nexo, onde viver tornou-se um verbo filosófico. Então, prefiro ouvir os anônimos ou os mais próximos mesmo, quando estes querem me ouvir. João Carlos foi para a Amazônia, porque acreditava em um mundo diferente lá. Isso é outra história. No entanto, ele deveria ver o quanto aproximo a sua frase de minha atitude com a vida.

24.7.09

Uma homenagem merecida

Um camafeu no infinito

O sábio que reconheceu,
sem me pedir, as minhas simples palavras.
Mareja com o brilho do camafeu
arremessado no infinito.
Respondia-me para além do dito.

Porque o agora
instiga esse passado eterno.
Nessa aurora, não sou mais o seu neto.
Tenho recordações puras e verdadeiras,
ou será que sou discípulo de um mundo inteiro?


Obs.: Escrevi esse acróstico e outros textos pela madrugada. Pode ser que os últimos acontecimentos tenham me despertado para a escrita mais uma vez. Ele é uma homenagem ao meu avô que hoje completaria 72 anos se estivesse vivo.

22.7.09

Momento blog...

Ser negro

Ser negro é carregar na pele
uma sofrível história.
E que o homem esquece,
apagando de sua memória.

Ter respeito ao branco,
sem nenhuma sujeição. Se esse lhe for franco
e abraçar o seu coração.

É fazer com que o seu amigo
entenda as diferenças.
Para traçar um novo destino,
sem esses problemas.


Entender a cor
como vítima de um vil processo. Que só deixará de ser dor,
quando nos unirmos com sucesso.

Devemos obliterar esse etnocentrismo vigente.
Tirar da sociedade o racismo arraigado,
antiquado e doente.

Ser negro, antes de tudo,
é ser cidadão.
Consciente de um mundo
que, há anos, divide nossa nação.

Obs.: Bom..odeio ter que explicar tudo o que faço e, principalmente, uma poesia. No entanto, decidi publicar essa em meu blog depois de um comentário infeliz surgir, quando a publiquei no outro site em que tem um propósito diferente do blog. Escrevi essa poesia após um tempo em que participava do Penesb, grupo que trata de questões raciais, da UFF. Também fiquei impressionado ao assisitir a palestra de Elisa Lucinda nesses dias e ela falou uma coisa interessante sobre "ser negra" em um país como o nosso. Acho engraçado como assuntos dessa natureza ainda sejam tabus e pouco encarados por nossa sociedade. Após ler o comentário de alguém que praticamente insinuou a minha postura "preconceituosa", comecei a pensar em uma frase antiga: "O preconceito é algo que está na cabeça de quem tem!" Bom...o "ser negro" surgiu de uma experiência muito próxima com amigos e estudantes negros que chegavam aos frangalhos no nosso grupo de pesquisa. Queria que todos vissem o quanto muitos sofreram com essa "não-existência" de preconceito em nosso país. Vi muitos também terem postura preconceituosa e, por isso, defendo uma postura para além da cor. Entretanto, como não falar de cor em um país tão misturado como o nosso que insiste em dizer que devemos esquecê-la, porque criamos outro preconceito? O assunto é mais complicado do que as pessoas pensam...Enfim, não vou me alongar, porque eu já não me agüento mais...rs Não deveria me irritar com aquele comentário, mas não suporto pessoas que inserem a sua própria opinião como se fosse a nossa. Cada um é cada um. Salve as diferenças. Já estou ficando preocupado com os meus textos também, porque eles já produzem interpretações bem distantes de sua origem...rss Desculpe a todos pelo longo texto..mas, às vezes, é bom usar o blog com a sua utilidade de desabafo. rss

8.7.09

A chuva

À Lina


Pensava que você me amava,
justamente porque não pensava.
Eu sentia.

Das noites de madrugada,
quase sempre mal dormidas.
Eu a acordava, enquanto você dormia.

Estava cega para o amor
e dele desistia.
Sua atitude terminava em dor
ou em briga.

Em momento algum, quis ouvir
o que tinha para lhe dizer.
E, quando lhe escrevia,
esperava-me com uma ironia.

Nas ruas, as coisas não mudam,
mas dizem muito mais.
Sempre acolhiam a sua ajuda
na recompensa dos dias.

Não tenho mais nada
a fazer nesse ambiente nublado.
A chuva de suas lágrimas
deveria lhe mostrar quem está ao seu lado.

Sempre fui verdadeiro,
conquistei o mundo inteiro,
mas não pude ser mais do que um amigo.

Obs.: Essa poesia surgiu há dias atrás e só agora decidi postar. Sei lá...parece ser uma das mais subjetivas que já escrevi. Decidi colocá-la aqui à revelia das críticas que recebo ao escrever dessa forma. Nunca soube o fundamento das críticas, mas os meus sentimentos sempre estiveram acima de qualquer mundo "encantado".

30.6.09

O Hades na mídia

Quando cheguei a casa na outra semana, parei em frente ao computador para ler algumas mensagens da internet com o cansaço habitual de outrora. O meu olhar para a tela me trouxe uma notícia que ainda reverbera em nossos dias. A morte de Michael parecia-me ter ocorrido naquele instante, devido à tamanha surpresa ocasionada em meu espírito. Mais do que isso, sentia uma certeza muito concreta no mundo de hoje: É difícil sempre escrever com vida em um mundo que privilegia a morte.
Talvez o contexto dessa frase pareça-lhe um humor negro diante de todo o ocorrido. Na verdade, o discurso construído nesse texto destrói a hipocrisia permanente da mídia especulativa e solidária com a mortificação da experiência de nosso tempo. Jackson teve uma parada cardíaca que o transformou em Deus para a mesma sociedade pusilânime de outrora. Afinal, as notícias vindas a seu respeito nunca circulavam com vida.
Tive, por muito tempo, que aturar os seus casos de pedofilia, os seus problemas mentais e a história do homossexualismo de um ídolo desconhecido. A minha geração deveria fazer a mesma pergunta, feita por mim, a essa propagação de boatos: Onde está o meu ídolo?
Imagine, então, a surpresa ao encontrá-lo em uma ambulância, cercado de paramédicos. Essa foi a última imagem que recebi do homem radiante dos anos 80. Digo homem e não, criança por acreditar na sua maturidade em lidar com uma sociedade de espetáculos muito amadora. E por que não uma civilização trágica? Pergunta bem propícia nesse momento.
O rei do pop tinha lá os seus problemas, mas quem nunca teve? Parece-me que a lente da conspiração recai sobre os mais fracos ou sobre os indefesos. Tudo é motivo para uma glorificação de fatos. Esses, por sua vez, assumem a conotação conveniente aos canais de transmissão. Lembrei-me agora do filme Truman e Jackson parecia viver nele, embora o filme passasse em preto e branco.
O que quero dizer é que o choro da minha mãe, no sofá da sala, fez-me entender a dimensão daquela vida tão coletiva e pessoal. Muitos nasceram ouvindo Billie Jean sem pararem para pensar no sofrimento daquele humano que se contorcia como um maestro no palco. Isso é arte!
Cheguei a comentar com o meu irmão o fato de suas músicas serem simples, mas apresentarem um componente único: Michael Jackson. O cantor deu vida às suas canções e fiquei muito triste com essa onda de homenagens sucessivas, como se ele nunca tivesse existido antes. Sou a favor de homenagear a pessoa em vida, porque já perdi oportunidade de agradecer pelos ensinamentos de muitas, enquanto o coração delas pulsava por segundo.
Peço, portanto, que não lêem esse texto como mais uma dessas homenagens correntes, porque queria ultrapassar o ambiente de morte de nossa sociedade. O Brasil costuma enaltecer muito mais os seus mortos do que os guerreiros desse cotidiano sofrível, mas cheio de vida.
A minha revolta está na forma como um negro norte-americano teve a sua vida descartada no mundo e reimpressa no momento em que perdeu a sua luz. É muito bom homenagear a alguém. Por isso, sempre que posso, escrevo um texto para quem merece o meu respeito. Daí o homenageado não acreditar nessa atitude gratuita.
Todo mundo quer ganhar o seu lugar ao sol. No entanto, esquecem-se de que a fama pode trazer mais peso do que o esperado. Jackson não esperava ser o ícone que foi. Ele ainda faz parte do grupo seleto de artistas nascidos do prazer com a ação no palco. E não preciso ser nenhum crítico para saber que muitos buscam sucesso, antes da almejada fama. Devemos seguir cada passo, como se fosse o realizado na lua. De lá, poderíamos esquecer o quanto pisaram em um ídolo que flutuava no Hades da mídia.

23.6.09

O vento e a brisa

Entre a fúria e o tormento
Faço-me ambos no firmamento.
Passeio suave pelas nuvens,
Enquanto ela me toma como furacão.

Cada passo imprevisto
Nos enreda no acaso.
E, por acaso, tudo isso
Virou poesia.

Quando estou furioso,
Ela começa a chorar.
É a brisa encontrando o vento
Com a sua arte de revolutear.

Girar, pensar, lutar, acalmar...
Ar.
Essa constante resignação
Que é inconstante para mudar.

A mudança sempre se inicia
Sem forma nenhuma.
Mas quem muda participa
De uma revolução muda.

Para onde o vento vai?
Quais rumos a brisa vai tomar?
O que importa é que dois sejam um
No momento certo desse encontrar.

A filha do ar (ou a continuação do vento)

A suavidade dela
sussurra em meu ouvido.
O suave sibilar silencioso.

Quero a sua paz
do meu lado.
Pois nada mais subjaz para o silenciado.

Todas as noites vem,
Aos meus sonhos, visitar.
Pensar nesta é como uma brisa,
essa filha do ar.

Tê-la por perto...
É acalmar o pensamento.
Embora já não saiba ao certo,
a intensidade desse sentimento.

22.6.09

O vento

Sou meio assim
como o vento.
Por onde passo,
derrubo tudo
e não deixo nada no lugar.

Ninguém fica perto de mim
por um único momento.
É porque falo,
esbravejo absurdos
e deixo a crítica rolar.

Carinhos não me consolam,
elogios muito menos.
Ouço mais do que sou ouvido
para enrolar em seus pensamentos.

Mas antes saibam
que o meu olhar é puro tormento.
Já ouviu o zumbido
que vem daqui de mim?
Esperei a rima: sou o vento!

20.6.09

Um texto pessoal (im)pessoal

As mudanças sempre são necessárias na vida. Como sempre tenho percebido o quanto ela foi precoce neste ano. De repente, o antigo processo, que finda no meu aniversário, bateu à minha porta. Assim, noto as alterações em meu modo de escrever como se estivesse aprendendo a escrever de novo. É difícil explicar, porque já tentei fazer isso uma vez a uma pessoa muito próxima. Mas ela não acreditou.
Hoje, já não sou nem próximo do que fui há tempos atrás. Em setembro, terei quatro anos nesse espaço cibernético entre blogs e discussões, sejam essas literárias ou não. E, por incrível que pareça, creio ser a primeira vez que me proponho não tornar literário o que escrevo aqui. Apesar desse tom confissional me incomodar muito.
Não posso, porém, esquecer de que grande parte de minha vida foi dedicada a torna o real em irreal, ou vice-versa. Conheci muitas pessoas que me levaram (e levam) todos os dias a rever os meus conceitos e aprender a velha máxima escrita desde o primeiro blog.
O uno não é individual. Se fosse, estaria morto muito antes de viver. Ninguém vive sozinho, embora muita gente acredite que a solidão é sempre algo concreto. Estar sozinho no mundo é uma postura que muitos filósofos tentaram defender inultimente. Alguns escritores da literatura, por sua vez, extravasam os seus sentimentos num monólogo coletivo. Entendê-los é sentir o quanto somos esse outro que não conhecemos.
Na última quinta-feira, senti o mesmo. Pela primeira vez, expus a uma platéia algumas de minhas poesias e o encontro foi algo além de fantástico. E não foi pelos aplausos, quem me conhece sabe o que digo, mas pelos instantes em que pude me ver naqueles olhares tão felizes das pessoas que queriam compartilhar aquele eterno momento.
Agora entendo porque o narcisismo é uma prática artística defendida por alguns. Mas, ao mesmo tempo, não compreendo o porquê de olhar para si mesmo diante das pessoas tão interessantes que nos assistem, ou lêem.
Apresentei lá no http://diariodapoesia.wordpress.com/ e estava ao lado de um cantor e compositor, chamado Nei Motta. Escrevo aqui isso, porque muita gente pode não perceber o valor dos bastidores de um evento. O não-dito, ou não visto, apreende razões inomináveis em qualquer língua. A vida também é assim. Somos construídos pelas vivências secretas consigo mesmos, embora elas aconteçam no caráter da alteridade.
Nei gesticulava enquanto lia e ao final da apresentação disse-me:_Mandou muito bem! E o que para muitos pode parecer elogio, vi como um reencontro entre gerações artísticas em prol da manifestação da arte. Afinal, sou um grande apreciador de música, ainda que precise aprender muito nesse ramo. O meu grande amor sabe do que digo.
Na verdade, nunca imaginei que o meu sonho de ser reconhecido como um escritor fosse possível no meio de tantos obstáculos que a vida me impôs. Um deles até me afastou dela que poderia ter sido o meu par (im)perfeito. E se recebesse apenas aquele elogio do Nei já estaria feliz naquela noite. Um cantor homenagear minhas poesias até acendeu um sonho nascido, há mais ou menos dois anos, de compor uma música.
O que quero dizer, enfim, não pode ser expresso nesse texto. Pensei naquele dia em toda a minha vida e o quanto a combinação da data 18/06 poderia me dizer algum segredo místico do passado. É..essa parte não é pra entender, mas se escrevesse tudo para entender, seria um Paulo Coelho e não o Rômulo.
Bom, brincadeiras à parte, Paulo Coelho me perdoe, porque irão me acusar de falta de ética e de que estou longe de ser um escritor de academia. No entanto, não esqueçam de que esse é o texto mais pessoal que escrevi por aqui até hoje. Polêmico sempre fui e não me importa o que venham dizer sobre mim. Talvez tenha sido esse cara que pretendo esconder para que não seja considerado antissocial (é assim que escreve agora?) como na comu de letras em que fui expulso há tempos atrás. Por isso, o esquecimento é o meu aliado. Ele me traz mudanças sucessivas no momento em que esqueço de que não devo lembrar do que fui. Dedicar a vida ao viver é a única certeza que me resta. O resto, eu conjugo com o universo coletivo ao meu redor. Esse pessoal tão (im)pessoal de ser.

11.6.09

Ode ao Sol

E, como pode,
Uma ode ao Sol?
Decidi escrever para ele,
Porque prefiro a natureza.

Ele não reclama,
Não cai em fofocas
E é feminino em alemão.

Seu gênero ninguém discute,
Embora também nunca mude
O brilho de sua luz.

À noite ilumina a Lua,
Porque ela sempre foi sua
E não foi ouvir outro inimigo.

Se ambos fossem humanos,
Talvez não fossem perfeitos,
Mas o certo é que assumiriam os seus defeitos.

Ele irradia ao mundo
Sem cobrar nada.
Na verdade, somos nós que o cobramos
Por uma noite ensolarada!

Sim, ode ao Sol,
Porque o aprecio.
A natureza não tem preço
E não se vende a qualquer vazio.

5.6.09

Poesias

Herói novo

Como Atlas suporta o peso,
Talvez o amor me faça suportar.
Já não basta, em mim, o sentimento preso
Para esquecer esse insuportável ar.

Já me disseram para parar de ler
E voltar à realidade.
Mas do que adianta viver
Em um mundo que não existe de verdade?

A infância foi roubada de muitas crianças
Que, por sua falta de nobreza, não podem sonhar.
E não adianta mais a ONU contar a pobreza do continente africano.

Os jovens querem lutar
por uma nova nação. Mas, antes, precisam salvar
o que lhes sobra de coração.

A tristeza de outrora estampada
nas vitrines da loja da vida.
Sim, agora a felicidade se compra e não, conquista.

Amar a si mesmo
já é muito pouco.
É preciso ocupar cada lugar a esmo
com a esperança do herói novo.

***********************************************************************************

Virtual

O virtual (des)virtua
O homem do nosso tempo.
Ele sofre de uma voz que não é sua
E que sobrevive ao momento.

Pula, sofre, grita, ri,
Em frente ao computador.
Só para enganar
Os algoritmos de sua dor.

Bem viu a matriz da sua vida
Escrita por MSN. Suas mensagens explodem
No tambor da aldeia tímida.

Observa a (re)produção imperfeita
Do real. Realiza os seus desejos
Em cada lampejo dessa rede sepucral.




Voltando a escrever poesias..e o que é melhor no velho e bom estilo polêmico que adoro. Inspiração de onde vens? rs Que bom que ela voltou. Abraço a todos e vivam a vida!

26.5.09

Momento (im)previsível

Eu quero um amor,
que acredite no que digo.
Aquela que saiba o valor
de minha companhia de amigo.

Mas não quero amizade
e trocar falsos olhares.
Busco a verdade
que não se encontra em todos lugares.

Aquele sentimento
renovado a cada dia.
Esse que só acolhe sofrimento
por desistir da rebeldia.

O mesmo que está em Camões
e no abraço sincero.
E o refletido para além das canções
de meus mais simples versos.

Um amor que acolhe
as diferenças.
Aquele que não discrimina.

O respeito de ser como é,
porque já me amo como sou.
E amá-la é o pouco
do que sobrou.

Esse amor ainda vai chegar
no momento mais (im)previsível.
Porque já nasce de um olhar
tão amavelmente inesquecível.

Dialogar e questionar

Afundado em meio a leituras e obrigações, precisava respirar um pouco por aqui. Escrever é o meu único vício que irei compartilhar por muito tempo com as pessoas. Entretanto, uma questão sempre me levou à longas horas de pensamento: Sou um ímã ambulante de interpretações e questionamentos sobre o que digo, escrevo ou falo sem pensar. Daí me vem uma frase latina para o meu conforto...Ueritatem aperit dies!
Sim, o tempo é o meu único amigo. Ele pode revelar a verdade no meio dos discursos produzidos sobre mim. E escrevo isso não como forma de reivindicação, porque muitas vezes a velha máxima do "fale mal , mas fale de mim" me ajuda. No entanto, por ser verdadeiro, acho estranho as pessoas direcionarem as suas mentiras à mim. Acreditava que só os canalhas e os cafagestes sofressem o martírio por seu modo estúpido de satisfazer às vontades alheias, mas me enganei.
O meu engano foi crer que o modo poético com que encaro a vida não fosse visto como mais uma máscara desses modismos de personalidade excessivos da nossa sociedade.
Logo eu que odeio moda. Já tive que ouvir muita bobagem, porque tento estabelecer um diálogo com as pessoas para além dessa pífia realidade mesquinha. Não vejo ninguém questionar o modo de vida de um Ronaldo, jogador tão prestigiado pela mídia, que ficou fora de forma e, através do marketing pessoal, conseguiu sem menor esforço um proveitoso contrato com um dos times mais famosos do país.
Também já vi pessoas acreditarem na realidade como um refúgio para as suas decepções e nem tentar agir sobre essa para revertê-la. E por que sou questionado? As perguntas foram enormes e, muitas vezes, sem nexo algum. Já ouvi de uma garota, com que me relacionava há um tempo atrás, a seguinte pergunta: Depois de tudo o que aconteceu, você ainda me ama?
Parece até irrisório escrever tal fato que parece cena de novela, mas o expus para ver o quanto as pessoas questionam o simples e jogam os seus problemas para o outro. Está certo que estou solteiro hoje. Por outro lado, muita gente questiona até a minha solidão. Oras, o que mais vejo por aí é casal de conveniência. Já escrevi um texto sobre esse fato comum em nossos dias e o que mais me assusta é vê-lo ainda na realidade.
Aí acho engraçado muita gente acreditar que só vivo por meus textos. Isso me lembra as reações que causo em muita gente com a minha escrita parabólica. Nem eu mesmo me entendo às vezes! Quero dizer...O meu entendimento não é um puro entendimento do que vejo. Com as palavras prefiro sentir a mentir, como faz grande parte da humanidade. A mentira ficou tão comum... Ninguém mais comemora o dia da mentira.
Por isso, se um dia for presidente, tenho o sonho de decretar o dia da verdade. Dessa forma irei desnudar todas as controvérsias literárias e mostrar as verdadeiras mentiras. Cazuza falava de uma tal de mentira sincera, que não vejo as pessoas realizarem. Afinal, creio que muita gente não "realiza" nada hoje em dia. O lance está na responsabilidade e respeito adquiridos com a (con)vivência.
Viver com o outro está longe dos padrões ridículos que aturamos todos os dias pela tal sociabilidade. Para mim, a melhor forma de ser social acontece no jeito como ajudamos cada um a tomar consciência de si mesmo. Não a consciência psicanalítica freudiana ou esses termos confusos que encontramos nos livros de leitura. Entretanto, se escrever com a fala do meu dia a dia, sou cobrado: Você não é professor? E espero, um dia, também ser indagado com: Você não é escritor?
Ao mesmo tempo, essas contradições agem como duplo. Podem nos trazer benefício ou prejuízo diante das situações em que nos encontramos. Mas a sociedade é tão negativa que qualquer pronunciamento torna-se ofensa. Odeio a tão ordinária fofoca por causa disso. Ela é a representação das pessoas que só existem pelo que falam de nós. Poderia eu ignorar? Claro que sim, embora acredite que a ignorância não me foi uma dádiva concedida. Dialogar e questionar fazem parte de um movimento da vida. Quem sabe um dia, possa mostrar isso para um universo maior do que esse em que vivo.

24.5.09

Diário de poesia

Incentivado pela poetisa de mão cheia, e formidável caçadora de talentos, Camilla Ribeiro, irei apresentar o que escrevo, pela primeira vez, a uma platéia ao vivo em um dos eventos culturais que descobri nos últimos dias em São Gonçalo. Esse sempre foi um de meus sonhos, mas acredito que ainda vou crescer muito mais para representar o que há de melhor para a arte em minha vida. Enfim, é o momento de me preparar para mais uma longa jornada de aprendizados, trocas e vivência.

15.5.09

Aviso

Ultimamente, não tenho tido tempo para o blog. Estou lendo alguns textos e me preparando para algumas obrigações. Por isso, escreverei aqui com muito menos freqüência do que antes. No entanto, saibam que ainda leio os blogs anexados em meus links. Agradeço sempre o comentário de todos e o aprendizado com os admiradores da arte. Afinal, aprendemos muito quando compartilhamos o que pensamos e escrevemos em um processo que melhora, cada vez mais, o que somos. E esse recado é para os escritores, poetas, leitores,pensadores, filósofos, professores..Pois não importa o que você "seja", se você aprendeu a fascinante complexidade humana do ser com o Outro. Viva, respire e faça parte desse grande Universo chamado vida.

um abraço a todos

10.5.09

Nosso lugar

Quando lembro de você,
sinto a lua me abraçar.
Começo os cânticos de outrora
sem saber onde vão parar.

Sigo a dança das elfas
no balanço místico do olhar.
Respiro o ressumar da poesia
de quem sempre esteve lá.

Recebo o dardejar das folhas
no surgimento do outono.
E prevaleço no ambiente noturno
sem nenhum assombro.

Aliás, a sombra do teu corpo
prevalece em mim.
Procuro tatear a terra
nessa orquestra sem fim.

É a chama do amor
com as brasas de um futuro devir.
Sou o sol a brilhar
em águas de marés revoltas de sentimento.

E quando penso que não vou continuar
com o meu pensamento.
Só a natureza pode me chamar
para o eterno momento...

Sou eu,
sou você,
bem no nosso lugar.

Obs.: Voltando a escrever poesias...Já estava ficando muito prosaico ultimamente...rs

3.5.09

Livro

Algumas pessoas são como livros. Dependendo do tempo em que as lemos, a nossa interpretação pode ficar dúbia ou clara. Acordei com esse pensamento em mente e hoje tudo parece menos claro do que antes. Dei-me a escrever... As palavras não são o refúgio, mas me levam ao encontro daquilo que chamam por aí de Psique.
Às vezes, penso nesse psicologismo barato como um véu da realidade. Muita gente crê que pode controlar a sua vida a partir dele. Aprendi a ver o mundo com a sagrada janela da alma. O que, para muitos, é pura “breguice”, eu adoto na vontade da super-interpretação do ser. O olhar esconde muito menos do que o ser humano pensa.
Transpô-lo para algo material é muito pouco. Afinal, viver com pouco devia ser a grande sabedoria desse século. Somos o reflexo do exagero e o complexo de diversas almas gritando por si. Entender a si mesmo não passa de uma tentativa de compreender esse mundo fantástico, que não acredita mais em sua própria realidade.
A Psicologia chamaria isso de esquizofrenia. Projetamos o nada para além de sua existência. O existencialismo bate, há anos, em nossa porta. Alguns sabem acolhê-lo, enquanto outros se afogam em sua insignificante vida. Daí que a linguagem reaparece nas páginas do cotidiano. Os jornais sempre querem nos dizer o que nunca pode ser dito.
Cada capítulo está no olhar de quem vê. Ontem mesmo, senti saudade daquela moça esguia e bela. E o que lembrei? Lá estavam os seus olhos apontando para mim. Perdia-me com o debruçar na janela e pensava o porquê de não pensar com ela. Alguns diriam que isso é amor.
Desconfio que seja, embora não acredite em definições para os sentimentos. Sentir é muito mais. Agora mesmo foi um sentimento que me trouxe a escrever. Se você me lê, também foi o mesmo processo. Viu as palavras diante de si e se pegou nesse parágrafo.
Aí fica procurando me decifrar, como um amigo meu fez certa vez. Disse-me que era uma mistura de Clarice com Machado. A amizade foi comprovada nesse momento. Somos seres de lupas maiores diante daqueles que admiramos. O cego não é pior por não querer ver, mas por tentar ver além do que já está tão explícito. Sim. Sempre esteve lá.
O filósofo alemão Heidegger tinha uma expressão “Dasein”, que não vi ninguém conseguir explicar até hoje. No entanto, entendo-o a meu modo. Ser ali ou acolá é uma questão de “opiniães”. O certo está no incerto do autor de sua própria vida. Não importa o nosso nome, se não importarmos nominalmente o que somos. Uma alma exige muito mais do que um corpo.
O mistério da psique consiste em ser humano. Devemos humanizar a vida com o convívio do ser com o outro. Daí diremos mais do que notas de rodapé. Seremos o impulso para a roda do acaso e aceitaremos o irreconhecível do que conhecemos. Essa viagem perpassa o nosso cérebro com a força das mensagens enviadas a ele. E, mais uma vez, a linguagem se mescla à vida.
Não a favor do escrever pelo escrever. Para mim, devemos nos entregar ao que nunca fomos para entender o que queremos ser. O meu sonho sempre foi ser escritor. Entretanto, há mais mistérios em minha psique do que a vã filosofia do mundo possa nos oferecer. A decifração do enigma está no confronto com as leituras de vivências. Viver e não ter a vergonha de ser feliz...
Como não sou de cantar, prefiro escrever a certeza de ser um eterno aprendiz. Aprendo o desenrolar de cada parágrafo subjacente. O olhar das entrelinhas permanece no intangível sem que possa acompanhar a sua tradução. Deixo-me mergulhar por caminhos nunca antes visitados e declamo os ditames do meu coração. Psique? Será? Preciso sair para por o pé na realidade.

21.4.09

Recebi, já há algum tempo, do blog http://minhaliteraturaagora.blogspot.com/ , o selo ESTE BLOG É UMA JÓIA.

Agradeço ao James por mais uma premiação, mas confesso que fiquei sem jeito. E como não sou ingrato decidi postá-lo aqui. Não acostumado a esse tipo de premiação, porque acho que ainda não conheço tantos blogs na net para divulgá-lo. Mesmo assim, vamos lá:

As regras são:
1-Publicar o selo
2-Linkar quem o ofereceu
3-Passar a 10 amigos
4-Avisar os premiados

Agradeço ao James por sua lembrança e insistência, mas acredito que preciso crescer muito mais para recebê-lo. Enfim..

Minha lista de blogs:

http://fio-de-ariadne.blogspot.com/

http://segredosdanitha.blogspot.com/

http://compulsaodiaria.blogspot.com/

http://filosofarpreciso.blogspot.com/

http://emilicas.blogspot.com/

http://cristianemarinom.blogspot.com/

http://www.mmpatricialara.blogspot.com/

http://umanoitenataverna.blogspot.com/

http://esteranca.blogspot.com/

http://assistindoomundo.blogspot.com/



Obrigado a todos que me visitam e comentam.

Cada minuto

Meia – noite.
Olho para o relógio,
esquecendo todo o ódio,
que me castigara como açoite.

O tempo é tão cruel
como o sentimento vil de uma alma.
Destruindo-se no mais ínfimo fel
de uma valor senil que acalma.

Tranqüiliza, mas não acomoda.
É um vento que suaviza
toda orla.

Orla de um rio pronto
para mudar o seu curso. Concretizar um sonho,
deixando para trás o que é imundo.

Girar em torno de si
é preciso. Encontrar, então, aqui
o que me deixa aflito.

Quero aprender a administrar
a alegria.
Pois ela é efêmera, pode acabar em um dia.

Parece-me que cada minuto
deve ser renovado. Revelando um humano menos taciturno
e um poeta bem-humorado.

Obs.: Vai uma poesia antiga para não perder o costume..rs

20.4.09

O real em que vivo

Hoje o frio me impeliu
a sonhar.
Escrever o sonho distante
Do real em que vivo.

Já não existe lírica
No que antes era sonoro.
Sou a forma rítmica
Do que não sou.

O meu positivo
Desafia as leis da poesia.
Conheço muito poeta triste
Que chora a sua canção.

Eu não.
“A hora mais bela, vem da hora mais triste”
E transformar o feio em belo
É o que faço.

Meu destino era ser gauche
Como o meu Drummond.
Ou ser contraditório
Como o Gregório.

Vou ser modernista,
Bairrista? Muito menos do que isso...
Sou simplório
E sofro a influência de quem gosto.

Não por segui-los,
Mas acordar no que sinto.
Sentir o laço do abraço
Bem apertado da vida.

Sinto cada segundo em minha veia
E esqueço, por um momento,
Que não passo de um jovem poeta.

Deixo a minha poesia surgir
Com a consciência no futuro.
É o agir insólito
Que desafio o soturno.

Reviro o verso
para o anverso desse revirado cotidiano.
Chamam-me de louco sem saber sobre mim,
enquanto espero honesto melhorar o nosso fim.


Obs.: Confesso que essa poesia surgiu após uma visita ao “uma noite na taverna”. Voltarei mais vezes lá. O pessoal de lá tem vida.

18.4.09

Blogagem coletiva: Quem foi o seu Monteiro Lobato?

Um editor de sua própria vida
Algumas pessoas nem sabem a sua importância no mundo. Não por coincidência ela nasceu no mesmo mês em que Monteiro Lobato. Com ela pude perceber que críticas não são ofensas e abaixo do seu mimo acolhedor criativo. Tenho a opinião de que os arianos são os responsáveis por fazer a roda da vida girar.
As nossas extensas discussões eram o modo com que aprendia essa diferença. No entanto, acredito que a divergência entre nós tenha sido a mesma causada com Malfatti no modernismo brasileiro. Ainda não tinha a concepção do que seria a minha nacionalidade e cometia a falha compreensível de não entender as críticas.
Não tinha ainda a oportunidade de conhecer o Lobato, porque estava longe do hábito de leitura. Mas ela foi a primeira a incentivar as conquistas nas aulas de redação. Foi o começo do gosto pela escrita. Talvez o seu desejo fosse diferente do meu. Sofria já o medo de muitos por aí: Querer a arte ele? O que pretende com isso?
Um dia lhe disse que havia desistido de ser médico do corpo para ser médico da alma. Daí veio a adolescência e a maturidade. Nessa época, ela descobriu uma riqueza maior do que a do petróleo, embora precisasse pegar mais sol para chegar ao ponto. O seu incentivo foi o grande impulso para aquela criatividade esquecida numa infância dispersiva.
Assim, graduei em literaturas, naveguei pela especialização e sigo pelas cidades já vivas do meu destino. Aprendi a enfrentar os desafios da vida com a arte incutida no ler e no escrever. Minha mãe estava anônima até escrever esse texto, a dona Lucimar trouxe-me luz com seu jeito determinado pelo criar. Não chegou a inventar uma companhia editora nacional, mas criou um editor de sua própria vida.

14.4.09

O que vem primeiro

Hoje terminei a minha leitura do livro "A paixão segundo G.H.", de Clarice, e comecei a pensar sobre o mais comum dos temas da literatura: o amor. Esse sentimento que assola qualquer um com a sua imprevisibilidade previsível do amar. No entanto, fiquei bastante reflexivo com a enxurrada de sensações trazidas pela leitura.
Elas foram tão fortes que me impulsionaram a retormar o meu "vício", já abandonado no meio de tantas outras tarefas de minha vida. Talvez isso não seja nada diante do que amamos. Amar é mais do que pulsão. E tudo pareceu claro após o livro.
A grandiosidade dessa obra está no seu chamamento então. A cada página, senti a escritora ao pé do meu ouvido com as sonoras palavras do silêncio feminino. Por isso, gosto demais da Clarice. Alguns diriam que esse gostar deve-se ao fato desta ser fã do Lobato, o meu escritor favorito. Não, amar vai muito além disso.
O meu exemplo não foi feliz, mas a felicidade bordeja nos momentos mais indecifráveis da vida. Isso explica as noites que passamos pensando em alguém e à procura do entendimento do que sentimos. Logo, entendemos a maior significância não cabível em "quês". Afinal, à pessoas nutrimos o verdadeiro "amor" e aos objetos, a adoração. Há controvérsias sobre o "adorar"...
Entretanto, o adoro você pode não ter a mesma força do "admiro".
Tal complexidade faz parte da vida. Essa, então, nem se fala. Mas o que fazer quando as palavras não sustentam o mundo idiossincrático da sensibilidade? Em outras palavras, o nosso sentir é algo inaudito e um escritor desafia isso. Daí lembrei de outras formas de amar. Amo a escrita, embora ainda não possa viver dela.
E lembro que a minha primeira poesia nasceu com obrigação...Na escola, a professora me pediu para escrever sobre Francisco de Melo Palheta, um senhor desses de engenho. Aquela poesia ainda surgiu em coautoria com o amigo Fábio. Era treslocada como os seus compositores, mas perfeita aos olhos do "amadorismo".
Depois vieram os amores de verdade e entre poesias e poesias fui me tornando um cara menos racional. O estranho foi perceber o prejuizo dessa mudança no mundo atual. Não sei mais se existe o café palheta que homenageava aquele barão de engenho, enquanto eu perco, a cada momento, o meu espaço como inumano diante desse estranho lugar "humanizado" pelo racionalismo.
Já nem tenho a amizade com esse cara que abraçou o lado humano da vida. Ele se tornou uma pessoa rude e entendeu a vida do seu modo. Mudou a própria concepção de amor com o seu jeito áspero de se esconder do cotidiano. Tudo bem. Não ligo mais. No entanto, sou um poeta e aprendi a amar.
Assim como fui zombado por minha paixão, embora prefira sempre falar de "amor". Fui zombado por acreditar em coisas simples. Não perdi nada sei, mas quando se sente de verdade, somos capazes de sentir a dor do outro. Isso se chama a bendita compaixão. E ultimamente vejo as pessoas desistirem do amar.
Imaginem se não fosse sensível ao que leio ou percebo da vida. Seria um fantoche de razões humanas do ser com o outro. Por isso, os escritores encontram nesse sentimento inaudito a substância do viver. Todos se encontram no infinito interminável do finitio prazer do ler e do escrever. Assim, a paixão é segundo tal... Para mim não há paixão! O que vem primeiro é o amor.

2.4.09

Aprendi a ser Sol

Hoje, aprendi a ser sol.
Ando solitário no “Sistema”
E erradio o que há de melhor na vida.

Só energia.
Para aquecer os problemas
Que enfrento todos os dias.

Transformando-os em matéria bruta
Que será renovada com um sorriso.
Isso desencadeia uma eterna luta comigo.

Pra fazer o melhor
Para o Universo.
Revirando o que há do pior
No seu anverso.

O meu calor, no entanto,
Não erradia à qualquer ser.
É destinado àqueles que entendem o encanto
De viver.

E, para os que querem apenas me absorver,
Deixo as chamas dos raios cancerígenos.
Aqueles precisam entender que não sou nenhum utensílio.

Presto pra quem sabe (em)prestar
A sua lealdade e a sua companhia.
Como se fosse adorar um sol na melhor hora do dia.


Obs.: Peço desculpa a todos por postar mais um texto antigo, mas ultimamente tenho tido outras prioridades.

29.3.09

Elogio ao sorriso

Acordo triste,
Cansado, em minha cama.
Mas, então, fico feliz
Quando tenho uma lembrança.

O seu sorriso
Está lá no meu coração.
E tudo muda comigo
Nessa silenciosa canção.

Uma melodia orquestrada
Por seu rosto. Ao vê-la, nada
Impede o meu “gosto”.

Saboreio o seu sorriso
Para esquecer o mau humor da vida.
Na rua, as pessoas sofrem martírio
E esquecem essa maravilha.

Querem ganância,
Ódio e riqueza.
Enquanto agradeço, à sua elegância,
Esse sorriso de princesa.

Ele me impulsiona
À inconseqüentes rimas.
O seu sorriso me aprisiona
Por vários dias.

Essa elegia deveria
Ser cantada por todo Universo.
Porque o seu sorriso inspira
Até o ditador mais perverso.


Obs.: Achei essa poesia antiga e lembrei sobre a minha procura do sorriso perfeito..rs

24.3.09

Pôr- do-sol

Estou vivendo uma fase pôr-do-sol e eu nunca pensei que isso existisse. Passo grande parte do tempo incentivando as pessoas à conquistarem os seus ideais, que, quando começo a descobrir muito de meu brilho, fico me perguntando o que pode ter valido a pena. E isso não é uma questão de medir as coisas. Só acho que há um momento na vida em que aprendemos a nos retirar dos instantes mesquinhos do mundo.
Um amigo, certa vez, disse-me que era muito novo e esse meu pensamento pertence a maior parte dos aposentados de nosso país. Por lado, defendo o fato de que tudo está ligado ao saber se colocar perante ao pré-disposto da sociedade. E o sol apenas se põe.
Ele não precisa reivindicar a sua importância, porque o seu brilho só existe com os outros. O seu raio alcança os lugares mais longíquos devido à sua forma intensa de se doar. Aí, chega o final do dia e começa a rever tudo o que aconteceu com outros olhos...
Vê que o seu "se pôr no mundo" sempre foi diferente, mas sempre esteve longe do que o sistema o exigia. Isso requer anos de experiência e compreensão. E disso todos nós precisamos. Sem ambas seríamos espelhos de tudo o que vivemos. Dessa forma, esqueceríamos a nossa capacidade de esquecer, por alguns momentos, da força utilizada por nós mesmos em nosso cotidiano.
Não vivemos apenas para fazer satélites existirem e saber a hora de se pôr é a maioria sabedoria humana. No entanto, devemos ter cuidado com o esgotamento total desse brilho. Alguns produzem grandes revoluções nas galáxias e outros descansam até o enegrecer de seus olhos. A lua não é só uma companhia.
Ando muito reflexivo e acho que devo ler menos. A vida tem se mostrado dura com os momentos de solstício. Todo mundo quer, geralmente, erradiar pra si mesmo os raios de energia sem compartilhar o que há de melhor. E o melhor não está em ações gigantescas ou em prêmios absurdos. Os humanos devem entender o seu objetivo em "melhorar" as suas relações no mundo.
E quem não já passou por uma situação assim? Pensar no seu futuro, ver os seus projetos bem encaminhados e sentir que sempre falta algo. O nome disso é vida. Essa centelha que ressurgia após o fim da tarde. Quando todos vão dormir em suas casas, lembro do meu dia para dizer uma única frase: Foi bom. Aí, chegam os momentos mais perigosos. Aqueles minutos de suspiros, em que lembranças de quem amamos vem sem perceber. Eles são a nossa família, os amigos, os colegas de trabalho e aquele grande amor.
Procuro fechar os meus olhos com o coração aberto. Pois , alguns minutos depois, recebo imagens daqueles que nos importunam por inveja, descaso ou ambição. E me pergunto: Será que esses merecem um instante sequer? A resposta vem em forma de perdão junto com a consciência de que mágoas só antecipam o horário de se pôr. Isso faz mal. Mesmo assim, a certeza que o dia virá me reabastece para lembrar de que sou apenas uma centelha dentre milhões. Agora imagine tal sensação se repetir a cada segundo de sua vida?

8.3.09

As mulheres, o Universo e a Energia


"Cada um de nós leva dentro de si a imagem de mulher tirada de sua mãe: por isto é que se sente inclinado a respeitar as mulheres em geral, ou desprezá-las, ou a sentir indiferença por elas."


Friedrich Nietzsche



E tudo começou com um olhar...


O que falarei aqui sobre as mulheres pode parecer, ao leitor atento, muito óbvio. Mas nunca sabemos o que, realmente, se passa na mente das rainhas do Universo. Só temos a certeza de que as conhecemos pelo olhar.

Se a Bíblia coloca Adão como primeiro ser a habitar o planeta, por que ele precisaria de um outro ser para se sentir melhor? Essa pergunta polêmica surgiu em meu pensamento quando lembrei do objetivo desse subjetivo início. E, como diria o filósofo alemão da epígrafe, sempre tivemos uma imagem feminina em nossa mente.

Tenho a certeza de que o homem não é um ser solitário como o capitalismo criou através do "self-man". Pois até o mesmo a solidão advogada por poetas e pensadores dispensa a máxima do egoísmo atual e "Adão pôs à sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes."

Eva, em hebraico, significa vida. A própria Bíblia sagrada aponta esse significado em uma nota de rodapé. Por isso, a mulher nunca teve esse caráter submisso que a sociedade criou ao longo dos séculos.

Não nos parece que nós sempre nos submetemos a um olhar feminino? O Universo foi construído, mas ele precisa de um olhar encantador para sobreviver. Deus sabe o que faz! "O senhor Deus disse: 'Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda adequada."

O homem recebeu uma ajuda que, embora tenha sido culpada pela sociedade, apoiou-o como um alicerce imponente diante das mazelas da vida. A mulher também suportou as dores que nenhum homem poderia suportar. O castigo foi, indubitavelmente, mais severo com o ser feminino.

Mas isso demonstra a sua importância no Universo. Só os "grandiosos" são escolhidos para suportar a dor em uma catástrofe. Ao mesmo tempo, os fracos tentam adquirir a proteção dos "grandiosos" com o objetivo de se igualarem.

Lembro-me, agora, da coragem de tantas mulheres que conheci. Elas nos fascinam por suas atitudes. Às vezes, devo admitir que ficamos fracos diante do olhar de uma Eva. Parece-me que voltamos a descobrir a vida quando olhamos diretamente um ser dessa magnitude. Já vi os homens mais viris se renderem a um mínimo charme feminino.

E, por mais que a sociedade crie a imagem do homem como um ser ativo e agressivo, acredito em sua passibilidade diante da mulher. Embora, geralmente, a mulher queira ser dominada e não receber apenas olhares. No entanto, é no olhar que construímos a sua auto-estima. Dizem que o homem existe por uma visualidade e a imagem importaria muito para a gente. Só não vi perguntarem o porquê dessa importância...




Obs.: Um trecho de um de meus textos antigos que decidi compartilhar como homenagem ao dia das mulheres. Ele está reunido para quem sabe um dia ser publicado. Um abraço a todos


28.2.09

Prêmio Dardos Muito obrigado




O blog (Inter)dito [escritos cotidianos] foi presenteado (pela segunda vez..hehe) com o prêmio Dardos e quem indicou foi a Cristiane Marinho do blog http://cristianemarinom.blogspot.com/ Nele , a autora compartilha com a gente de suas idéias e ainda escreve sobre as suas experiências profissionais. Mas o que mais nos prende a ele é o seu jeito fraterno/educativo de ver o mundo. Este selo foi criado com o objetivo de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web. Antes de repassá-lo , porém, devo rever algumas falhas que cometi há um tempo atrás por puro desleixo. Mea culpa! rs Já havia sido premiado uma vez pelo Fio, mas como eu e internet somos um caso à parte, acabando não repassando o prêmio daquela época. Então, senti-me na obrigação de reparar essa lacuna ao retribuir o prêmio à Vanessa e àqueles que ainda não pude divulgar por sua contribuição em tornar mais interessante esse mundo da Web.




O premiado vai seguir, se não der uma de Drummond que recusou o prêmio da academia..rs , essas instruções:


1)Deve exibir a imagem em seu blog;


2)Deve linkar o blog pelo qual você recebeu a indicação;


3)Escolher outros 10 blogs a quem entregar o Prêmio Dardos,


4)Avisar os escolhidos.




Assim conforme o regulamento do prêmio e julgando méritos e realizações, indico abaixo os blogs merecedores de tal distinção como difusores e incentivadores culturais e meus amigos. Então meus dardos vão para...




A Vanessa me atrai por seu bordejar das palavras e foi a primeira a me indicar pro prêmio dardos. Além do mais, ela é uma grande incentivadora da arte.




Martigos: http://martigos.blogspot.com/
Começou meio tímida, mas aos poucos a Marcela vai compartilhando os seus pensamentos por nossa blogsfera.




No meu link, ele é conhecido como o blog do Leivão, mas não é só esse apelido que torna os seus escritos de bom grado e familiares.




Grande Valdeir! Ele consegue, como poucos, misturar reflexão poética com o dia a dia.




O Filipe é uma grande revelação, porque escreve como adulto.




Ainda conheço muito pouco do compulsão, eu confesso. No entanto, bastam poucos minutos de leitura para nos tornarmos compulsivos.




Conheci durante a blogagem coletiva. Grande divulgador do universo feminino e do mundo dos leitores.




Porque nunca é demais presentear uma flor.



A própria autora se diz modesta, mas prefiro a simplicidade do que grandes rompantes literários vazios.




Os maiores delírios estão em curtas palavras.


26.2.09

“Personas” de minha vida




"Viver e não tenha a vergonha de ser feliz


Cantar (e cantar e cantar)a beleza de ser um eterno aprendiz (...)"






Eu achava que certos personagens só existissem na literatura. Mas a vida me mostra a existência de seres estranhos e arrastados pela ânsia de felicidade. Esses são como vampiros. Sugam tudo ao seu redor para que se satisfaçam por míseros momentos. Viver de momento é fácil! Qualquer um faz. Transformar as nossas ações em bens eternos é pra poucos mesmo.
Não quero generalizar, como sempre, mas isso faz parte de minha geração. Pelo menos, tive o azar de encontrar essa minoria perdida entre os caminhos e descaminhos. E nem sei mais se isso não foi sorte, porque comecei a lidar com essas figuras de nossa sociedade.
Eles personalizam desejos e disparam denominações para todos os cantos. No entanto, isso se agrava na forma como agem perante a um confronto. Dizem o que querem sem ouvir o Outro. Aliás, a intolerância faz parte dessa falsa democracia que advogam.
Já vi malandros, prostitutas, professorinhas, padres, artistas, políticos, bruxos, vampiros, ladrões, serem enquadrados no mesmo patamar. Todos buscam o tal “se dar bem”. Seja com duplo sentido ou não! E isso me entristece. Pois o que será de nossos filhos? Serão criados por criaturas? O certo mesmo seria sermos criadores. Mas o que será certo mais em nossa sociedade?
É a era dos espertalhões. Mentem, roubam o bem comum, vivem às custas de depredar aos outros. De minha parte, opto pela inteligência. Procuro viver a minha vida e entender que não estou só no mundo. Claro que os inteligentes ainda são muitos, embora a sociedade insista em torná-los fracos.
Assustei-me com a declaração que li, certo dia, por MSN. Disse a moça: “mandando romantismo p kct e aproveitando oq ha de bom”. Fiquei pensando o que ela acha que deva ser “bom”. Com certeza, esconde a sua infelicidade com momentos.
Tudo bem que ela não goste de ser romântica e isso é direito dela. Afinal, ninguém nasce igual. Entretanto, essas pessoas querem demonstrar um ar de superioridade com afirmações absurdas através de conceitos pertencentes ao mundo egoísta e totalitário em que vivem. Por isso, revejo todos os dias o que dizem sobre o Brasil.
Muitos homens também caem em modelos prontos. Homem de verdade é o machista. Aquele que domina a relação e ainda coça o saco na frente dos outros. Isso está mudando? Está. Estão aparecendo os canalhas também. E os românticos? Já receberam o seu lugar de acordo com a opinião da minoria feminina ainda vigente.
O que me intriga é que essa mudança não vem. Quando vem, rasteja-se de modo lento devido à velocidade em que os espertos se proliferam. Todavia, esses malandros esquecem de que uma sociedade é vivida em conjunto. E suas ações refletem no seu dia a dia.
Essa esperteza é a mesma defendida por quem detém o poder. Veja, então, o que acontece com o mundo. Vivemos em uma crise sem precedentes. Agora, até comercial de incentivo a dar volta no quadro existe. Isso é muito engraçado.
Estranho como os livros de auto-ajuda se tornaram Best-sellers né? Hoje, sou o maior defensor de Paulo Coelho, porque ele foi o primeiro a entender o nosso espírito. Não gosto da leitura dele, mas um escritor, que fala a linguagem desses “felizes” aí, merece o nosso respeito.
Tem gente que se acha feliz por “ter” mais do que o outro. Isso ainda existe em pleno século XXI. O mesmo posso dizer daqueles que se unem por interesse. Há coisa mais antiga e ultrapassada do que isto? Depois falam do romantismo. Já disse, porém, certa vez, que qualquer ismo ao extremo faz mal.
Alguns personagens de minha geração nasceram de seu exagerado mal estar consigo mesmo. Muitos são pessoas inseguras que se “seguram” em fantasias capengas de um desconcertado convívio. Quando escolher máscaras (as tais personas do grego), só é ato feito depois de muita maturidade e segurança. E eu, que não tenho nada a ver com isso, decidi ser escritor para descrevê-los em prol da vida.






Obs.: Um texto em homenagem ao carnaval..rs

24.2.09

Perguntas / Jogo do sim ou não

Essas são as poesias que saíram nessa tarde em momentos de catarse..kkkk Brincadeiras à parte, decidi postá-las. Um bom carnaval a todos!!!




Perguntas

Pra quem escrever?
Se esse mundo abre as portas
para o falso viver.

Pra que escrever?
Se todos só lêem as palavras
Segundo um ilegítimo crer.

Como escrever?
Se o que escrevo,
não passa de uma verdade já esquecida.

A quem escrever?
Se ninguém mais reconhece valor
da simplicidade do meu amanhecer.

Perguntas vazias
Em um mundo repleto de estranhamentos.
Mas respondê-las não é meu objetivo
diante de tanto vazio.

E pergunto ao meu coração
Se vale apena me preencher
Com o melhor de tudo isso:
A emoção.









Jogo do sim ou não



Não.
Não me ame com interesse
Do que lhe possa oferecer.

Sim.
Desinteresse-se por tudo
Que dizem sobre mim.
Venha me conhecer.

Não.
Não me odeie sem ódio,
Porque isso não será verdadeiro.

Sim.
Odeie-me por algum motivo,
Mas se certifique que isso vem de você.

Não.
Não avalie o que sou
Pelo que aparento ser.
Não fale antes
De saber quem sou.
Ou, bem melhor,
Não aja por impulso.

Sim.
Avalie os seus pensamentos
E a sua atitude de acordo com o seu coração.
Fale com quem lhe incomoda
a razão de todos os problemas.
Impulsione novas idéias pelo mundo.

Tenha cuidado com o que escolhe
Para a sua vida nesse jogo do sim ou não.
Somos mais do que as nossas atitudes
Querem dizer ao nosso coração.

17.2.09

Blogagem Coletiva: Universo vital

“As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou.”


Ainda lembro daquele ano . Estava quase terminando a faculdade de literatura e, ao mesmo tempo, decepcionado com as descobertas que fiz. Comecei a entender a responsabilidade de ter personalidade no mundo. Parecia que afundaria junto com aquelas pessoas irreconhecíveis de outrora, mas o apoio de verdadeiros amigos, como a Perses, foi o necessário para recobrar a consciência do que seria a vida.
Assim, recebia em minhas mãos o “Cartas a um jovem poeta”, de Rainer Maria Rilke e não sabia o poder de um livro. Na verdade, aprendi muita coisa naquele ano de 2005. Havia desistido de acreditar em falsas promessas e pessoas insensíveis. Talvez essa seja a maior mudança proporcionada pela leitura do diálogo entre o autor e o seu pupilo Kappus.
Essa obra tem o encanto da sensibilidade com a força de extrair o que há de melhor em nós. A cada página, sentia o quanto somos brutalizados pelos ambientes sociais em que vivemos. Aprendi a olhar o mundo com os olhos de dentro. Aqueles que não são passíveis de compreensão.
Era uma pessoa arrogante, creio eu, e que não sabia medir as palavras a serem ditas. O gatilho entre o que pensava e falava era mais curto do que o atual. As minhas críticas talvez fossem menos infundadas e ouvidas também pelo mesmo motivo. No entanto, fui tomado pelos simples conselhos ao jovem poeta.
Começava a entender o significado de muitas palavras como “humildade”, enquanto sentia a necessidade de ressignificar outras como “amor”. Vivia, antes, sem saber a importância da brutalidade desse mundo. Mas ler aquelas páginas era investigar minuciosamente a minha alma.
Rilke ultrapassa o seu tempo. O escritor parece mais próximo do que a distância real nos mostra. E, quando li o trecho colocado no início desse texto, percebia coisas mais essenciais do que o formato textual da carta. Em outras palavras, entendi a nossa insignificância diante do grande universo significante da vida. Vivemos além do que dizemos ou escrevemos, embora as palavras escondam mistérios nunca antes conhecidos.

12.2.09

Aqui vão duas poesias antigas da época que dava os primeiros ensaios como um diletante poeta. Ainda há muito a percorrer, mas somos movidos sempre pelo verbo acreditar.



Pronome


Eu sou pronome pessoal
e não quero ser oblíquo contigo.
Porque aquele demonstra que é mau,
sendo muito indefinido.

Você também o tratou bem.
De modo interrogativo
olhou para mim, altivo,
falando: — Quem?

Sua indecisão
foi porque não ligara o nome à pessoa.
Bastava-lhe uma relação
que o trouxesse uma memória boa.

Ele me substituiu
e lhe usou como objeto.
O nosso nome possuiu
como um pronome desonesto!




Rainha do jardim

Fui ao jardim
buscar uma linda flor.
Queria encontrar uma para mim
e cultivar com amor.

Vi uma Camélia
olhando-me a todo momento.
Mas logo ficou séria,
quando soube que sou ciumento.

Depois veio a Margarida
com um maravilhoso sorriso.
Porém a achei meio oferecida,
tornei-me apenas o seu amigo.

Então, passei pela casa de Magnólia.
Contudo, sua família não “foi com a minha cara”
e destruiu o que seria a glória.

Foi aí que chegou a hora de ir embora.
Uma flor acenou para mim; formosa,
era a rainha do jardim: a Rosa.

Pensamento do dia

Dessa vez, decidi postar uma frase que recebi numa dessas evasivas correntes por e-mail. Mas a sua simplicidade e profundidade merece o nosso respeito.

"AMAR É TER A CERTEZA IRREFUTÁVEL DE QUE O ESPAÇO QUE SE COMPARTILHA EXPANDE O UNIVERSO"

Claudio Salles

8.2.09

Um herói perfeitamente humano


É...Final de semana em casa com a família e assistindo ao filme Hancock. Já havia assistido no cinema com uma amiga, mas vê-lo novamente me fez lembrar do quanto mudei. Digo isso , porque creio que tenho um pouco da vida daquele personagem em mim. Aliás, todos nós nos identificamos com algum filme. Eu prefiro o desse herói perfeitamente humano.

Sinto saudade, às vezes, da época em que fazia tudo sem pensar no futuro. Mas, hoje, as responsabilidades de uma vida madura me exigem uma melhor postura. Não tenho mais idade para ficar brigando com qualquer idiota por aí, embora ainda não resista a uma discussão. Isso me fascina na aventura.

Hancock é um pouco de nós. Um homem tentando viver sem se preocupar com o que os outros querem lhe impor. Afinal, a sua postura antissocial discute os padrões impostos socialmente e nos faz refletir sobre o quanto eles podem interferir no nosso cotidiano. Ele age por instinto, porque é uma forma de pensar menos sobre as conseqüências de seus atos.

No entanto, há um outro aspecto interessante no auge do filme. O herói problemático decide, após o conselho de uma pessoa que lhe salvou, obedecer a algumas normais sociais. Essa postura oferece ao personagem de Will Smith uma fama e respeito pela sociedade que o humilhava. Ao mesmo tempo, ele se depara com um conflito interno em que descobre o seu passado.

Assim, fica sabendo que era marido da mulher de quem o ajudou a recobrar a consciência. Aí estão problemas de relação moral e de ética, dentre outras coisas. O que me chamou atenção também foi o fato de que Hancock não podia viver ao lado de quem amava. A sua solidão sempre fora causada por terceiros que se intrometiam na felicidade de ambos. Daí o fato de nunca conseguirem viver juntos.

Parece-me também que a felicidade do casal de superpoderes estava fadada ao fracasso, porque não podiam viver em harmonia. Quando eram encontrados juntos e vulneráveis, sofriam ataques por todos os lados. Ali se discute a vulnerabilidade humana que incomoda a muitos. Ambos eram vulneráveis aos sentimentos simples como casar e ter uma vida normal.

Nem mesmo o Hancock gostava de ser o herói sempre, porque a sua felicidade ficava ameaçada. Uma pergunta, então, surge durante essa parte: Por que será que a vida, às vezes, sacrifica uns para a felicidade de outros? O personagem fazia de tudo para se manter longe de confusão, mas algo sempre o colocava diante dos problemas. Porém, resolvê-los era fazer algo por uma coletividade que nunca iria reconhecer a dimensão de seus problemas.






7.2.09

Pré-conceitos

Hoje decidi escrever sobre as pessoas que não tomam uma postura diante da vida e acabam segregando os outros. Afinal, sempre há um meio de falar mal daquilo de que não gostam. Com certeza, vou receber críticas depois disso. Muitas delas deverão acontecer pessoalmente ou não. Estou tentando, de minha parte, discutir uma coisa chamada de "pré"-conceito. Ele ainda existe de forma velada em nosso país e conviver com o outro é atitude humilde para poucos.
Falar mal sempre é motivo para se sentir mal! No entanto, as pessoas confudem crítica com ofensa. A última é emotiva e envolve interesses pessoais. Confesso que já passei por diversas situações desse tipo por não querer ofender ninguém. Mas as pessoas concebem com antecedência uma forma de nos ver. Já me disseram que isso é um ato humano. Sei não....
Procuro ouvir, saber como a pessoa está para dizer o que penso. Esse mundo não admite pensamento? Pergunta que surgiu agora. Tem gente que fantasia muito a partir do que "pensam" sobre a gente. E aí? Nessas horas , o pensamento é válido. Isso me leva a uma situação incômoda. Então, não digo mais às pessoas o que faço de minha vida.
Quando não me conhecem então...Se revelo o meu desejo de ser escritor, sou chamado de sonhador. Se falo sobre a profissão de magistério, sou o metido a professor. E, se fico quieto, sou esnobe. O que você faria em meu lugar? Essa é a questão. Aí vem o início desse texto. Te excluem e você fica solítário com uma fama que colocaram em você.
Nem tente passar segurança, porque somos (em determinados lugares) reconhecidos pelos tais grupos. Demorei muito a perceber isso e talvez tenha sido o meu problema. O mundo pode ser mais simples do que as pessoas pensam, mas elas complicam demais. Afundam-se em problemas. Tive um namorico de verão que só me trazia problemas. Um dia lhe falei: -Pô..você não ri não?
Tem gente que prefere se acovardar diante da vida e abraçar o primeiro refúgio. Tá bom.. Pode fazer isso, mas saiba que você abraçará só tristeza. A vida nos traz empecilhos, mas que devem ser ultrapassados. Poderia muito bem ter ido dormir agora. Decidi escrever. Não só pelo fato de acreditar em um dos meu sonhos de ser escritor e sim, porque sei que alguém pode encontrar forças no que escrevo.
Sei também que haverá aqueles que vão apontar defeitos. Esses sempre existem e alimentam uma fonte de conceitos pré estabelecidos sobre nós. E isso é natural! Todo mundo aceita falar que ciclano é isso e fulano é aquilo. Uma forma fácil de se apropriar da fala do outro a seu favor e impossível de viver uma vida tranquila. Paz é ter autoestima. Olhar pra cima e dizer: Eu não vim aqui só passear.

Primeiro encontro

Sora
sou diferente do q imaginou?

Renato
não...geralmente não fico imaginando como a pessoa possa ser...Deixo a parte da imaginação pros meus textos...rs
As pessoas não acreditam , mas sou um cara muito realista no meu dia a dia.

Sora
nem me imaginou
poxa

Renato
estava conhecendo o seu interior, gosto primeiro de ver as pessoas por dentro. ;)
só depois de conhecer mais é q posso imaginar

4.2.09

Obrigado

Aos que me dão lugar no bonde
e que conheço não sei donde,

aos que me dizem terno adeus,
sem que lhes saiba os nomes seus,

aos que me chamam deputado
quando nem mesmo sou jurado,

aos que , de bons, se babam: mestre!
inda se escrevo o que não preste,

aos que me julgam primo-irmão
do rei da fava ou do Hindustão,

aos que me pensam milionário
se pego aumento de salário

-e aos que me negam cumprimento
sem o mais mínimo argumento,

aos que não sabem que eu existo,
até mesmo quando os assisto,

aos que me trancam sua cara
de carinho alérgica e avara,

aos que me tacham de ultrabeócia
a pretensão de vir da Escócia,

aos que vomitam (sic) meus poemas,
nos mais simples vendo problemas,

aos que, sabendo-me mais pobre,
me negariam pano ou cobre

-eu agradeço humildemente
gesto assim vário e divergente.

graças ao qual, em dois minutos,
tal como o fumo dos charutos,

já subo aos céus, já volto ao chão,
pois tudo e nada nada são.


Carlos Drummond de Andrade

Sentimentos são eternos

Idéias sempre irão existir, mas os sentimentos que as inspiram são sempre eternos.
Eles caem como a chuva de verão e aquecem os mais frios dos corações.
Permanecem ocultos até o momento em que são desvelados em um simples olhar.
Mas são revelados após a distância que a vida os impõem.
Aí o poeta decide escrevê-los para tentar uma ilusória aproximação, porque a realidade devia ser outra.
Mas ele já buscou além das palavras, reencontrar essa sua inspiração.
Ela se afasta, permanece em silêncio e abraça a solidão.
O que seria de nós então sem compaixão? Breves solilóquios dessa hibernação.
Não quero isso e escrever foi a única solução.
De estar bem mais próximo de quem deveria, na realidade, encontrar o meu coração.

3.2.09

Parte 2: Um monólogo de Solo


Vivemos em meio a uma inversão de padrões. Demorei muito a entender isso. Talvez porque a minha opção por ser singular tenha me tornado “Solo”. A Vânia fez me perceber o quanto somos carta fora do baralho no mundo atual. O machismo sobrevive no modo de estilo das mulheres de nosso século.
Hoje, com muito distanciamento, fui capaz de entender aquela noite em Porto Seguro. Ela estava apenas seguindo o que vive com as suas amigas. Os amantes à moda antiga podem desistir. A maioria resiste aos estilos antigos, embora existam ainda as mulheres que disseram um não ao embuste vigente.
Liguei diversas vezes para Vânia. Do outro lado, esperava um oi apenas. Queria reencontrá-la para lhe dizer o quanto a amava. Mas não se iluda. O amor é algo em extinção. E, para entender algumas mulheres, tive que lembrar o padrão clássico do machão. Esse já conheço. Afinal, fui criado em um ambiente assim e tenho a certeza de que todo homem também.
Mas o que acontece agora? Elas confabulam com as amigas com quem vão sair e zombam daquele que não fizer os seus desejos. Doce ilusão. Muitos homens preferem essa situação para se vingarem conosco. Dizem alguns: -Viu seu otário, peguei a fulana!! Como observadores, apenas respondemos: -Não acredito! Ela não ía cair na lábia de um machista!
E eles respondem: - Você não sabe do que falando! Essa onda de romantismo já era! O discurso se repete na maioria das vezes, enquanto o mesmo deve acontecer do lado de lá. Digo isso, porque conheço as referidas “mulheres pra-frente” como a Vânia. São vítimas do falso ideal de dominação em que a Sociedade as empurra.
Porém, tenho certeza de que todos nós perdemos. Hoje tudo acontece em prol de uma chamada “diversão”. De minha parte, não sei mais o que é isso. As palavras são sempre as mesmas e estão longe de seu significado. Antigamente, o ato de se divertir fazia muito bem às pessoas.
Atualmente, uma noite basta para que essas pessoas esqueçam a eternidade da vida. Quem foge à essa “coletividade” está fadado à tristeza! Fico pensando as horas melancólicas que passei por resistir às investidas da senhorita T. Lá estava Solo com a sua cerveja e o seu pensamento naquela moça sem oportunidades da vida.
Talvez ficasse mais feliz se dormisse horas selvagens com T. O seu corpo acordaria “no ponto”, mas teria que encontrar a Vânia na hora do café. Ambos estavam hospedados no mesmo hotel. Os sentimentos marcam muito mais do que contatos físicos.
Por isso, a sua amada estava cansada. Feliz? O rosto dela só demonstrou um sorriso ao lhe dizer oi. Podia ter acordado mal humorada. Isso é normal. Mas o que quero dizer em meu monólogo está além disso. Só o leitor perspicaz poderá lê-lo! Cada palavra segue o fluxo de uma reflexão pouco comum. Tão rara quanto às vezes em que pude falar com Vânia ao telefone. Ela estava no direito dela. Era apenas mais um querendo falar com a “dona” da situação. Bem-vindos ao século XXI.




A saga de um desiludido

Inspirado em “Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, de Clarice Lispector e em “A mulher desiludida”, de Simone de Beauvoir



Parte 1: Sou um estranho


Meu nome é Solo,
Nasci estranho, meio assim. Entre leituras e desencontros fui deixando de ser o que a sociedade sempre quis que fosse. O modelo ideal de humano ainda se constrói no caricato machismo. De minha parte, procuro amar a educação que tive. As mulheres devem ser respeitadas. O resto? O resto é resto.
Daí o meu projeto ambicioso de não passar sozinho o resto de minha vida. Mas a vida me afasta desse par que, ao contrário de muitos, não idealizei. Taí o meu problema. Quem sabe deveria “idealizar” mais. Ler mais filosofia e me perder em escritos literários. Pensar em uma “Lóri” para conversar por horas e horas.
Quando fui à Porto Seguro, achei que havia encontrado uma. Ah...esses encontros e desencontros já são parte desse objetivo que alimento desde a minha adolescência. Afinal, era estranho.
Nunca perdi o meu tempo com falsas sensações. O meu concreto é o incerto em mim. E na Bahia as pessoas são assim. Os baianos amam a vida sem questionar o porquê. Muitos se lançam ao desconhecido e as mulheres então.. Piadas à parte, gosto mesmo de lá.
Um povo que teria muitas razões para reclamar. E o que vemos? Festa, festa... E lá fui eu. Perdido na multidão caminhava pela passarela do Álcool e ela sorria. Só. Se as mulheres procurassem menos o homem perfeito, os nossos problemas não existiriam. Elas acham que precisam muito mais para nos encantar. Bom, pelos menos acredito nisso. Ah... ía esquecendo, não conto. Sou estranho.
Aproveito cada segundo da vida com o olhar de uma criança. A minha sensibilidade constrange as mulheres de nosso século, porque elas ainda não aprenderam a não envelhecer diante de um homem. E meu tio me levou ao bordel.
Aquelas luzes todas sobre a minha cabeça já eram demais pra mim. A verdadeira luz estava dentro do meu coração e nem aquela jovem iria apagar. Não tinha nada contra o prazer. Muito pelo contrário. Mas não sou capaz de marcar a minha alma com ilusão. Queria a Vânia e o seu sorriso. Ela? Nem queria saber de mim. Talvez me visse como mais um estranho que não estava nos padrões do que ela acreditava ser um homem.
Um homem de verdade não mente e quando o faz se sente mal por toda a sua vida. Primeiro porque não terá coragem para olhar para a sua parceira e, se tiver, garanto que esse não a ama o suficiente. Esse tipo de amor não é verdadeiro. Vão me chamar de drástico, mas se esquecem que a traição não é mais um tabu em nosso século. Sou antigo mesmo. Defendo a volta dos casais.
Não aqueles perfeitos. Não há nada perfeito nessa vida, porém alimento o amor que me tranqüiliza. Quando a gente gosta de alguém é capaz de odiar amando e de nunca se sentir bobo diante de uma situação desesperadora. Eu acho, mas esqueça...
E lá estava o homem desiludido. Passou a noite bebendo e resistindo às investidas da senhorita T. Por quê? Como dormir com alguém, se ao acordar entenderia que foram só corpos a se encontrar? A Vânia, por sua vez, estava se divertindo com as amigas em um quarteirão próximo dali.

2.2.09

Pensamento do dia

Essa frase surgiu mais uma vez por uma de minhas reflexões e foi inspirada no clichê antigo: "Quem ama cuida, quem cuida tem".

Quem joga com o amor não cuida, nem se iluda, será uma pessoa que lhe quer por bem?

31.1.09

O que seria a distância?

Uma torrente de pensamentos me invadiu e depois de descobrir o grande texto de mais um blogueiro e escritor descoberto pela Vanessa, decidi escrever esse texto. Pra quem quiser conferir, está aqui o endereço: http://omundodesofisma.blogspot.com/2009/01/coautoria.html



O que seria a distância? Uma pergunta que perdurou em minha mente durante essa semana. A distância pode nos aproximar ou nos afastar, a partir do espaço em que convivemos. É mais ou menos isso! Tentei simplificar, mas as minhas palavras se distanciam do que almejo. Quero aquele velho sonho de estreitar os laços do mundo. Mas muita gente prefere se reunir em grupos muito pequenos a não aceitar os encontros da vida.
Já perdi muitos amigos de infância pela distância. No entanto, existem aqueles que tenho na lembrança e, quando tinha o orkut, achava-os lá. Alguns se mantiveram amigos e perderam a proximidade. Disse bem o Filipe: "Amigo não se faz assim, como se planta arbustos. Amizade exige estudo, horas de conversa num silêncio contínuo de trinta ou mais minutos. "
De minha parte, prefiro ser amigo de todos numa atitude kamikaze. Afinal, nunca agradamos a todos. Mesmo assim a distância deveria ter uma equação relativa para os cientistas de plantão. Jogue isso para o amor entre pessoas que eram apenas amigas. Costumam dizer que homem não pode ser amigo de mulher e vice-versa. Estranho, não? O mesmo falam da amizade entre homens. Um dia estava vendo algo interessante naquele Big Broxa Brasil. O velho Bial ensinuando toda a sua falsa moralidade para a amizade de dois brothers. Ué, então qual é o objetivo desse programa? Já a sociedade vê muito bem a amizade entre mulheres. Será porque elas sempre sejam comparsas contra a gente?
Brincadeiras à parte, gostaria mesmo de relativizar a distância moral em que os brasileiros se encontram. Ela é muito tênue. E esse é um perigo de se estudar antropologia, acredito eu. Talvez a minha distância perante aos fatos não se aproximasse tanto. Coisa difícil observar o ser humano social não? Distanciar-se é ver um mundo a partir de nossa proximidade interior.
Na verdade, só nos aproximamos por que nos interessa. Isso é fato! O que faz jogar pelo ralo a história do diz com quem andas que te direi... Diga o mesmo para as patricinhas do tráfico! Muitas têm grana o suficiente, mas precisam estar próximas do perigo da cidade para fugir do "perigo" de suas casas. O risco, entretanto, é que elas caem nas mãos de malandros por não ter a noção mínima do que seja retidão de caráter..mas aqui voltamos ao que disse sobre a moralidade e fica pra uma outra longa discussão.
Tudo hoje nos aproxima tão rápido que fica difícil ter aquele tempo para decidir até uma simples amizade, lembrando do trecho do Filipe, enquanto pessoas distantes o conseguem. Mas muitas vezes esses laços se confudem demais e aí está a minha questão. Nessas horas, respiro fundo e procuro reavaliar o que fiz até aquele momento. Sempre de forma crítica. Ou melhor, auto-crítica. É..a distância. Esse grande enigma que promove encontro entre semelhanças e diferenças na sociedade.