Um editor de sua própria vida
Algumas pessoas nem sabem a sua importância no mundo. Não por coincidência ela nasceu no mesmo mês em que Monteiro Lobato. Com ela pude perceber que críticas não são ofensas e abaixo do seu mimo acolhedor criativo. Tenho a opinião de que os arianos são os responsáveis por fazer a roda da vida girar.
As nossas extensas discussões eram o modo com que aprendia essa diferença. No entanto, acredito que a divergência entre nós tenha sido a mesma causada com Malfatti no modernismo brasileiro. Ainda não tinha a concepção do que seria a minha nacionalidade e cometia a falha compreensível de não entender as críticas.
Não tinha ainda a oportunidade de conhecer o Lobato, porque estava longe do hábito de leitura. Mas ela foi a primeira a incentivar as conquistas nas aulas de redação. Foi o começo do gosto pela escrita. Talvez o seu desejo fosse diferente do meu. Sofria já o medo de muitos por aí: Querer a arte ele? O que pretende com isso?
Um dia lhe disse que havia desistido de ser médico do corpo para ser médico da alma. Daí veio a adolescência e a maturidade. Nessa época, ela descobriu uma riqueza maior do que a do petróleo, embora precisasse pegar mais sol para chegar ao ponto. O seu incentivo foi o grande impulso para aquela criatividade esquecida numa infância dispersiva.
Assim, graduei em literaturas, naveguei pela especialização e sigo pelas cidades já vivas do meu destino. Aprendi a enfrentar os desafios da vida com a arte incutida no ler e no escrever. Minha mãe estava anônima até escrever esse texto, a dona Lucimar trouxe-me luz com seu jeito determinado pelo criar. Não chegou a inventar uma companhia editora nacional, mas criou um editor de sua própria vida.