2.1.12

Todo verbo tem vida

Fazia tempo que a escrita não batia em minha porta.
Os versos agora escrevo em prosa
para não esquecê-los e tirá-los da rota.

Essa é uma história poética porque a vida quis assim.
No entanto, não é o destino que me guia
e vou escrevendo por ações o que descrevem pra mim.
Se sou poeta foi um desvio das experiências.

Viver é renascer todo dia.
Não importa o que lhe digam
ou se o mundo virou as costas para você.

Mundano é aquele que não crê nem em si.
As rimas expressam o som inefável do silêncio.
Consigo falar muito mais nele do que com as palavras.
Afinal, a minha ode não odeia ninguém.

Canto a sorte de um dia nublado
ou a pena de um mundo proibido.
Amor pra mim não é palavra.
Sexo não é gênero
e escrever não é vida.

Surpreendo todos porque surpresa é uma regra do meu ser.
Aliás, o que seria ser numa sociedade onde o ter vale mais?
Minhas reflexões já fizeram diversões flexões
antes de chegar aqui.

Não nasci há milhões de anos atrás,
mas faço cada segundo viver mais.
Fui abortado por todos no momento
em que decidi viver sem eles.

No entanto, narcisismo só existe, pra mim,
em páginas de compêndios de mitologia.
Ser poeta é muito mais do que ser.
Ter amor é muito mais do que ter.
Todo verbo tem vida.
É muito mais do que parece ser.

E se tivesse um desejo...
Desejaria que entendessem as minhas ações.
Porque o pra mim, quando é vivido, faz-se pra você.

21.10.11

Ao nome mato


No Brasil, todo mundo se conhece.
Aquele professor que odeia o aluno,
aquele político que odeia o povo
e aqueles artistas que odeiam uns aos outros.

A educação pede desafogo,
a corrupção entra em jogo
E a arte?
Quem conhece sabe do que estou falando.

Somos um país fraco
que se diz forte.
Temos gente para mudá-lo
e reverter essa sorte.

No entanto, o QI evolui
por puro nepotismo.
Quem fica calado
não obtém amigos.

Duas coisas que odeio
fazem esse país andar.
A fofoca e a hipocrisia permeiam
o nosso dia a dia.


E eu, como não tenho nada a ver com isso,
continuo estrangeiro, sem ser reconhecido.
Mas o que busco, na verdade, é o reconhecimento desta ação.
ao nome mato, o sofrimento desta nação.

14.9.11

Como se escreve poesia?

Fico pensando,
revirando por dentro
e não acho nada pra completar.

A minha vida parece completa
e as dúvidas cada vez mais certas.
Por que estou sozinho?

A solidão é a diferença do coletivo,
enquanto as vozes lá fora me dizem
que ainda estou vivo.
O abraço sincero de quem mentia,
o amor à revelia,
quem sou eu, poesia?

Refletindo,
vou estendendo o que era sofrimento,
mas não é pura transpiração.
Acredito que inspiração
não vem só do coração.

É dia a dia,
solo, batida
incrustada
em simples canção.

Poderia ter feito diversos sonetos,
perder horas na composição.
No entanto, sinto que a emoção vale mais
do que mil horas perdidas de reflexão.

Entre a razão e a emoção,
sou um Bocage remendado
de que tanta bobagem
me joga na multidão.

Comecei vate,
tornei-me diversos,
passei pela tempestade
e o meu ímpeto
acabou em pleno interdito.

De cronista solitário,
fui escritor visionário
de um passado lendário.
As minhas rimas só buscam sufixos
de dicionário.

E a cada movimento
vou me perdendo a cada verso.
Esquecendo de que o Uno
não é universo.

Então, poesia,
isso tudo é reflexão
Ou são meus ingênuos versos?

A certeza é que quando aprender
a escrever o que chamam de poesia,
Não sou eu quem vai saber
o que houve de melhoria.