22.1.09

A lua

Ao olhar para a lua,
recordações vieram.
Uma conversa sua
e um gesto honesto.

A brisa me alcançou
no meio das imagens.
O meu coração falou
que era saudade.

Mas a noite continuava imponente
no brilho lunar.
Parecia-me um triste indigente
a sonhar.

A distância parecia mais próxima
do que antes.
O canto dos pássaros, lá fora,
trazia o seu semblante.

A lua banhava-se
com o meu brilho.
Eu, de minha parte, resfolegava
com um sereno sorriso.

A insônia batia à minha janela,
enquanto chovia lá fora.
Eu pensava na hora em que ela
fosse embora.

A lua trazia-me um olhar,
mas o meu sol queria um tempo.
Talvez pudesse haver um encontro lunar
ou o sistema solar estivesse aqui dentro.

Amor não rima

Amor,
essa palavra de quatro letras,
que insiste em rimar com dor.
Eu costumo vê-lo de outra forma
e pô-lo em suas facetas.

A de admiração
e de respeito a cada olhar.
Tudo para procurar palavras em meu coração
com o objetivo de rimar.

Mas nem sempre a harmonia acontece.
E, todo dia, um amor nos esquece.
M de mulher
e de grande turbulência no coração de um poeta.

O caminho parece o mesmo
em nossa vida.
O do ósculo
tão esperado.

Pois poeta, que se preze,
admira a mulher
em busca do seu olhar.
E o beijo não é um mero componente
de sua história.

R de reunião
de corpos e de almas em um só.
Isso é possível,
quando não há paixão.

Paixão, na maioria das vezes,
é "patos". E nos deixa como patos!
Mas, ainda que o amor faça o mesmo,
o sentimento é diferente.

Experimente ignorar
o amor de um poeta.
Haverá, então, dois caminhos:
Ele vai te amar e te amar.

A leitora, então, dir-me-ía:
-Como se afastar?
Não se afaste,
porque o amor está no mundo.

E como diria Drummond:
"Tenho o sentimento do mundo" (...)
O amor não se explica
e nem rima.
Mas poeta, que se preze,
sabe conversar e respeitar o seu amor.

11.1.09

Onde foi que erramos?

Renato acordou com uma frase na cabeça:-Onde foi que errei? Aquilo parecia um resquício das marcas de um singelo passado. Eram chagas de uma tentativa de ser humano, mas o mundo ía na mão contrária. Na vida, somos eternos guerreiros. Às vezes o clima de competição pode acabar de forma desastrosa para os dois lados. E pensava Renato, enquanto levantava:- Onde foi que errei?
Se olhava no espelho e lembrava do que havia feito no ano anterior. Acredito que o mais difícil para alguém é a conquista de desejos simples. Renato queria alguém para compartilhar o seu cotidiano. Ele viu gente corrupta e gananciosa conseguir muito mais do que desejou. Presenciou a mentira pravalecer sobre a verdade. E, enfim, foi negado por aqueles que acreditava ser os seus amigos.
-A vida é injusta! Pensava consigo. Mas não devemos julgar ninguém e sei que a sua amargura falava mais alto naquele momento. Ligou o computador para se distrai. As mesmas pessoas em seu msn, mas algo o irritava demais. -Onde foi que errei? Frase simples que o perseguia, após a virada de ano.
Quem não já passou por uma situação assim? Há um momento em que precisamos reavaliar toda a nossa vida até o presente. A maturidade chega sem avisar! Achamo-nos tolos e acreditamos que tudo vai ser diferente. De certa forma, Renato percebia isso. Mera ilusão! Errar é um ato humano, mas ainda não aprendemos a moderar a compreensão desse erro.
Isso se chama consciência! Fernando Pessoa disse sabiamente que ela doía. No entanto, não podemos nunca fugir dela. O escritor português talvez tenha criado os seus heterônimos por tal motivo. É uma boa tática de vida transformar os seus fantasmas em personagens. Dessa forma, cria-se um certo distanciamento para entender essa pequena grande interrogativa humana: - Onde foi que errei?
Esse é um dos mistérios de um escritor legítimo. Erra quem acredita que a literatura é uma simples fuga. Entretanto, cada um sabe o que faz com a própria vida. Se Renato escrevesse, faria um texto bem diferente do meu. Para ele, o erro não estaria com a situação. Mas a autocrítica existe sempre: -Onde foi que errei?
De minha parte, quero ver um dia em que esse questionamento se pluralize. Assim, reveremos conceitos dessa sociedade que permite o impermissível e censura o que pode ser permitido.- Onde foi que erramos? Basta lembrar de tudo que acontece nesse país. Assalto, prostituição, falsidade entre grupos, uns com muitos e muitos com pouco. Enfim, enumerar várias mazelas tornou-se hábito. Talvez porque alguns não param para se perguntar a respeito de suas ações para com o outro. Renato escreve um artigo para um jornal agora sobre a situação de nosso país.
Obs.: Escrevi esse texto para abrir 2009. Sei que ele poderia ter sido melhor, mas pra começar está bom..rs