24.3.09

Pôr- do-sol

Estou vivendo uma fase pôr-do-sol e eu nunca pensei que isso existisse. Passo grande parte do tempo incentivando as pessoas à conquistarem os seus ideais, que, quando começo a descobrir muito de meu brilho, fico me perguntando o que pode ter valido a pena. E isso não é uma questão de medir as coisas. Só acho que há um momento na vida em que aprendemos a nos retirar dos instantes mesquinhos do mundo.
Um amigo, certa vez, disse-me que era muito novo e esse meu pensamento pertence a maior parte dos aposentados de nosso país. Por lado, defendo o fato de que tudo está ligado ao saber se colocar perante ao pré-disposto da sociedade. E o sol apenas se põe.
Ele não precisa reivindicar a sua importância, porque o seu brilho só existe com os outros. O seu raio alcança os lugares mais longíquos devido à sua forma intensa de se doar. Aí, chega o final do dia e começa a rever tudo o que aconteceu com outros olhos...
Vê que o seu "se pôr no mundo" sempre foi diferente, mas sempre esteve longe do que o sistema o exigia. Isso requer anos de experiência e compreensão. E disso todos nós precisamos. Sem ambas seríamos espelhos de tudo o que vivemos. Dessa forma, esqueceríamos a nossa capacidade de esquecer, por alguns momentos, da força utilizada por nós mesmos em nosso cotidiano.
Não vivemos apenas para fazer satélites existirem e saber a hora de se pôr é a maioria sabedoria humana. No entanto, devemos ter cuidado com o esgotamento total desse brilho. Alguns produzem grandes revoluções nas galáxias e outros descansam até o enegrecer de seus olhos. A lua não é só uma companhia.
Ando muito reflexivo e acho que devo ler menos. A vida tem se mostrado dura com os momentos de solstício. Todo mundo quer, geralmente, erradiar pra si mesmo os raios de energia sem compartilhar o que há de melhor. E o melhor não está em ações gigantescas ou em prêmios absurdos. Os humanos devem entender o seu objetivo em "melhorar" as suas relações no mundo.
E quem não já passou por uma situação assim? Pensar no seu futuro, ver os seus projetos bem encaminhados e sentir que sempre falta algo. O nome disso é vida. Essa centelha que ressurgia após o fim da tarde. Quando todos vão dormir em suas casas, lembro do meu dia para dizer uma única frase: Foi bom. Aí, chegam os momentos mais perigosos. Aqueles minutos de suspiros, em que lembranças de quem amamos vem sem perceber. Eles são a nossa família, os amigos, os colegas de trabalho e aquele grande amor.
Procuro fechar os meus olhos com o coração aberto. Pois , alguns minutos depois, recebo imagens daqueles que nos importunam por inveja, descaso ou ambição. E me pergunto: Será que esses merecem um instante sequer? A resposta vem em forma de perdão junto com a consciência de que mágoas só antecipam o horário de se pôr. Isso faz mal. Mesmo assim, a certeza que o dia virá me reabastece para lembrar de que sou apenas uma centelha dentre milhões. Agora imagine tal sensação se repetir a cada segundo de sua vida?

5 comentários:

Vanessa disse...

Já conheci quem sentisse durante o tempo todo coisas semelhantes. E acho que não é questão de idade, Rõmulo, mas de estágio de vida.

Abraço!!

Ariane Rodrigues disse...

Linda a metáfora que usaste Rômulo. Tens razão em muita coisa e me identifiquei bastante com teu texto. Me "pôs" a pensar e sentir... Abraço!

minha literatura agora disse...

Caro Rômulo,fico feliz que você esteja se sentindo assim,A vida não é madrasta como muitos dizem,acho que é mais uma mãe severa que ama seus filhos.Também acho que muitos sentimentos independem da idade.Que você tenha essa percepçaõ da vida tão jovem,me parece algo grande.Abraço do james.

Valdeir Almeida disse...

Rômulo,

Que bom que voltou a postar.

Todos nós temos um brilho diferente das outras pessoas. E devemos irradiar esse brilho para o mundo até mesmo através de um simples sorriso ou de algo que temos determinado conhecimento.

Abraços.

Compulsão Diária disse...

Foi (muito) bom! E sempre brilha