3.2.09

Parte 2: Um monólogo de Solo


Vivemos em meio a uma inversão de padrões. Demorei muito a entender isso. Talvez porque a minha opção por ser singular tenha me tornado “Solo”. A Vânia fez me perceber o quanto somos carta fora do baralho no mundo atual. O machismo sobrevive no modo de estilo das mulheres de nosso século.
Hoje, com muito distanciamento, fui capaz de entender aquela noite em Porto Seguro. Ela estava apenas seguindo o que vive com as suas amigas. Os amantes à moda antiga podem desistir. A maioria resiste aos estilos antigos, embora existam ainda as mulheres que disseram um não ao embuste vigente.
Liguei diversas vezes para Vânia. Do outro lado, esperava um oi apenas. Queria reencontrá-la para lhe dizer o quanto a amava. Mas não se iluda. O amor é algo em extinção. E, para entender algumas mulheres, tive que lembrar o padrão clássico do machão. Esse já conheço. Afinal, fui criado em um ambiente assim e tenho a certeza de que todo homem também.
Mas o que acontece agora? Elas confabulam com as amigas com quem vão sair e zombam daquele que não fizer os seus desejos. Doce ilusão. Muitos homens preferem essa situação para se vingarem conosco. Dizem alguns: -Viu seu otário, peguei a fulana!! Como observadores, apenas respondemos: -Não acredito! Ela não ía cair na lábia de um machista!
E eles respondem: - Você não sabe do que falando! Essa onda de romantismo já era! O discurso se repete na maioria das vezes, enquanto o mesmo deve acontecer do lado de lá. Digo isso, porque conheço as referidas “mulheres pra-frente” como a Vânia. São vítimas do falso ideal de dominação em que a Sociedade as empurra.
Porém, tenho certeza de que todos nós perdemos. Hoje tudo acontece em prol de uma chamada “diversão”. De minha parte, não sei mais o que é isso. As palavras são sempre as mesmas e estão longe de seu significado. Antigamente, o ato de se divertir fazia muito bem às pessoas.
Atualmente, uma noite basta para que essas pessoas esqueçam a eternidade da vida. Quem foge à essa “coletividade” está fadado à tristeza! Fico pensando as horas melancólicas que passei por resistir às investidas da senhorita T. Lá estava Solo com a sua cerveja e o seu pensamento naquela moça sem oportunidades da vida.
Talvez ficasse mais feliz se dormisse horas selvagens com T. O seu corpo acordaria “no ponto”, mas teria que encontrar a Vânia na hora do café. Ambos estavam hospedados no mesmo hotel. Os sentimentos marcam muito mais do que contatos físicos.
Por isso, a sua amada estava cansada. Feliz? O rosto dela só demonstrou um sorriso ao lhe dizer oi. Podia ter acordado mal humorada. Isso é normal. Mas o que quero dizer em meu monólogo está além disso. Só o leitor perspicaz poderá lê-lo! Cada palavra segue o fluxo de uma reflexão pouco comum. Tão rara quanto às vezes em que pude falar com Vânia ao telefone. Ela estava no direito dela. Era apenas mais um querendo falar com a “dona” da situação. Bem-vindos ao século XXI.




4 comentários:

Vanessa disse...

Olha Rômulo parece que vc tem razão , o que muito me entristece. Tenho inúmeras discussões com meu marido sobre isso e fico, ao ouví-lo e ler vc, sentindo-me como Pollyana. Talvez seja este o livro da minha vida: Polyanna menina. Que tal? :-)

Anitha disse...

Talves as pessoas, ou a maioria delas, porque nao me incluo nesse meio, buscam um amor que não exista, quem sabe pra suprir a falta de amor-proprio. Ou, como li num livro: "Ama o desejo, não o desejado".

Rômulo disse...

Em minha opinião, amar o desejo é muito pouco, minha cara. Amar ao desejo não é amar o desejado. E acredito que não existe isso: Buscar um amor para suprir a falta de amor próprio. Afinal, amor de verdade só existe quando amamos a nós mesmos primeiramente!Livros como o que você leu existem sim, mas eles só revelam uma parte da grande história que é a nossa vida. Por isso que os livros utilizados para inspirar o atual texto não tem nada a ver com o resultado final. Mas, enfim, é a sua opinião.

Rômulo disse...

Van, o meu livro favorito é o "Cartas a um jovem poeta", de Rainer Maria Rilke. E vou escrever sobre ele no blog coletivo! Já ouvi falar do Polyanna, mas não conheço. Também mostra um jeito de inversão de padrões né? Só pro caso feminino. Vou procurar.

um abraço