17.2.09

Blogagem Coletiva: Universo vital

“As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou.”


Ainda lembro daquele ano . Estava quase terminando a faculdade de literatura e, ao mesmo tempo, decepcionado com as descobertas que fiz. Comecei a entender a responsabilidade de ter personalidade no mundo. Parecia que afundaria junto com aquelas pessoas irreconhecíveis de outrora, mas o apoio de verdadeiros amigos, como a Perses, foi o necessário para recobrar a consciência do que seria a vida.
Assim, recebia em minhas mãos o “Cartas a um jovem poeta”, de Rainer Maria Rilke e não sabia o poder de um livro. Na verdade, aprendi muita coisa naquele ano de 2005. Havia desistido de acreditar em falsas promessas e pessoas insensíveis. Talvez essa seja a maior mudança proporcionada pela leitura do diálogo entre o autor e o seu pupilo Kappus.
Essa obra tem o encanto da sensibilidade com a força de extrair o que há de melhor em nós. A cada página, sentia o quanto somos brutalizados pelos ambientes sociais em que vivemos. Aprendi a olhar o mundo com os olhos de dentro. Aqueles que não são passíveis de compreensão.
Era uma pessoa arrogante, creio eu, e que não sabia medir as palavras a serem ditas. O gatilho entre o que pensava e falava era mais curto do que o atual. As minhas críticas talvez fossem menos infundadas e ouvidas também pelo mesmo motivo. No entanto, fui tomado pelos simples conselhos ao jovem poeta.
Começava a entender o significado de muitas palavras como “humildade”, enquanto sentia a necessidade de ressignificar outras como “amor”. Vivia, antes, sem saber a importância da brutalidade desse mundo. Mas ler aquelas páginas era investigar minuciosamente a minha alma.
Rilke ultrapassa o seu tempo. O escritor parece mais próximo do que a distância real nos mostra. E, quando li o trecho colocado no início desse texto, percebia coisas mais essenciais do que o formato textual da carta. Em outras palavras, entendi a nossa insignificância diante do grande universo significante da vida. Vivemos além do que dizemos ou escrevemos, embora as palavras escondam mistérios nunca antes conhecidos.

7 comentários:

Vanessa disse...

Opa, já ouvi muito falar neste livro mas ainda não li. E qdo um livro tem este poder que vc descreveu , vale a pena lê-lo inúmeras vezes.

Obrigada pela participação na coletiva. Tá bom demais!

Serena Flor disse...

Esta blogagem está sendo maravilhosa e nos dará a chance de conhecer bons livros. Depois de tudo que li aqui, ficou a boa curiosidade.
Obrigada e parabéns pela bela participação!

Georgia disse...

Rômulo, muito curioso a escolha do seu livro. Eu nao o conheco.
Gostaria que vc pudesse fazer uma resenha para um blog que tenho sobre livro. Dá uma olhadinha no link e se gostar de lá me confirma que te envio a entrevista.

http://www.elasestaolendo.blogspot.com/

Um abraco

Sonhos & melodias disse...

Que belo depoimento esse seu! E seu livro é realmente muito bom. Um aprendizado!
Abraço

Cristiane Marino disse...

Nossa eu já ouvi falar tanto sobre esse livro e ainda não li e agora estou mais que convencida que devo lê-lo.

Um grande abraço
Cris

Compulsão Diária disse...

Cartas a um jovem...bem, a Falha de Saõ Paulo lançou uma coletânea usando o mote...Elegias de um Duíno, pra mim é um dos melhores livros que já li.
Este sim deveria ser pra um jovem, um velho, qualquer idade de poeta, qqer poeta...qqer alma

Compulsão Diária disse...

Rõmulo, voltei pra perguntar...faculdade de literatura?
Como é ?